19 março 2008

PAULO SÉRGIO. A TRAJETÓRIA DE UM ÍDOLO DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA



Quando surgiu em 1967, ninguém podia calcular seus feitos e a indefectível contribuição que daria mais tarde para a história da música popular do Brasil. Nem mesmo o sucesso coroado pela fama inabalável _fama esta, responsável direta pelas polêmicas que ajudaram a delinear o perfil do astro_ pôde realmente abalizar o lugar que Paulo Sérgio ocuparia no pódio do reconhecimento profissional. Do início tímido e recatado, para as capas de revistas, e matérias mil. Sempre inserido no epicentro da notícia, sua vida foi notada, comentada e até mesmo julgada. Paulo Sérgio ainda era muito jovem quando foi jogado na cova dos leões. Empenhado em construir uma história limpa, aquém das comparações, traçou um caminho que ele mesmo achou melhor para trilhar. Se ao lado dele existia um rei ferido pela ameaça do trono _que poderia ser tomado a qualquer momento_ logo abaixo existia um público que lhe compreendia lutando a todo custo pelo brilho da sua estrela, admiradores que compareciam em massa as portas de entrada das emissoras de rádio e TV. Os jornalistas encontraram a pauta que procuravam e que por muitos anos renderiam dividendos aos cofres das editoras. Colocar dois ídolos em xeque, um contra o outro, passando por cima de sentimentos e lutas, foi o requinte máximo encontrado para semanalmente, terem o que falar de Roberto Carlos e Paulo Sérgio.

POR QUE TODA MATÉRIA SOBRE PAULO SÉRGIO CONSTA O NOME DE ROBERTO CARLOS?
Primeiro, porque o resultado da trama articulada foi além do que os autores premeditaram. Segundo, Paulo Sérgio, mesmo colocado como o propenso perdedor, saiu vitorioso da guerra. Constatando o tempo de ausência desde a sua precoce morte, há quase três décadas, seu nome continua vivo e ainda é o mais citado pela boca dos apaixonados por romantismo em música brasileira. Ainda tem o fato de que Paulo Sérgio nunca procurou a mídia para se defender da acusação de imitador de Roberto, quando tinha oportunidade para falar, falava do seu trabalho. Roberto Carlos não teria saído tão fortalecido do movimento Jovem Guarda, se não houvesse um outro ídolo lhe fazendo frente e tocando insistentemente no rádio. Foi preciso existir um intérprete, lamentavelmente com timbre de voz levemente parecido com o timbre vocal de Roberto, para que ele continuasse na mira da mídia. Enquanto isso, Paulo Sérgio dava continuidade na carreira sem se preocupar com Roberto e com o que ele fazia profissionalmente. No meio da guerra que a mídia insistiu para que existisse, manifestou-se e veio a tona, milhões de pessoas que preferiam Paulo Sérgio a Roberto Carlos. Enquanto Roberto se sentia rei, pousando como tal, fazendo-se de difícil, dando poucas entrevistas, enfim, seguindo a meta previamente traçada por terceiros, Paulo Sérgio aparecia ao lado do homem mais famoso do Brasil, o empresário e apresentador Sílvio Santos. Era o maior galã da atração Os Galã Cantam e Dançam, pousando e dançando com fãs. Paulo Sérgio não era o único galã do programa, tinha ainda Antonio Marcos, Cláudio Fontana e outros, mas até ali, longe do Roberto, criaram uma confusão envolvendo o nome dos dois. Fazia parte também, do programa, o cantor Wanderley Cardoso. Corria o ano de 69 quando uma avalanche de matéria foi publicada, envolvendo o nome de Roberto Carlos e Paulo Sérgio. De repente Antonio Marcos e Wanderley se afastaram de Paulo Sérgio, os dois primeiros eram empresariados por Marcos Lázaro, empresário de RC, o que a mídia tratou afirmar que os dois estavam seguindo ordens de Roberto. Para piorar a situação, pessoas da produção do programa, disseram que durante o concurso O Galã Mais Querido, Paulo Sergio, que seria o vencedor de acordo com os votos recebidos, teve que aceitar a mudança sugerida pela produção, que atendendo o pedido de Roberto Carlos que entregaria a faixa ao vencedor, preferiu coroar Wanderley Cardoso. A produção acatou diante da ameaça de Roberto, que não compareceria, caso tivesse que pôr a faixa em Paulo Sérgio. E assim foi feito.

O SITE DE PAULO SERGIO ESTÁ DENTRE OS MAIS VISITADOS
O site tem pouco tempo de vida, mas já é seguramente a principal fonte de informação sobre a vida, a obra e a carreira de Paulo Sérgio. Gilberto Ivo não mede esforços para manter bem informado e atualizado, os milhares de visitantes do site. Atencioso com a obra do ídolo, Gilberto vem conquistando credibilidade nos meios de comunicação, não somente na rede, mas também na imprensa geral. O site tem servido de fonte para radialistas, jornalistas e pesquisadores interessados em conhecer a trajetória de Paulo Sérgio. Atualmente o foco está para uma entrevista sincera e transparente, que Raquel Telles Eugênio de Macedo, ex-esposa de Paulo Sérgio, mãe de Rodrigo Macedo, filho do cantor, deu ao site. Para quem é afoito, e quer ir direto ao Paulo Sérgio, tem um vídeo novo, onde o cantor aparece cantando Índia no SBT. Vale conferir, vale recomendar e, vale principalmente incentivar pelo trabalho indispensável, limpo e transparente de Gilberto Ivo.




PENINHA. UM COMPOSITOR SONHADOR



PENINHA CONQUISTOU O RECONHECIMENTO DA CLASSE
Aroldo Alves Sobrinho, conhecido apenas por Peninha, está entranhado nos anais da música popular do Brasil como autor e intérprete da música “Sonhos”, mas não pense que foi apenas Sonhos que o fez ser reconhecido e respeitado no cenário da música popular. filho de pais cearenses, desde pequeno ele tinha o sonho de tornar-se cantor, contrariando os pais que preferiam ter no filho, o engenheiro, ou o enfermeiro, profissões que para eles, ofereciam muito mais segurança. Começou a compor aos 15 anos (hoje ele tem 55 anos), aos 18, em 1971, Antonio Marcos gravou três músicas de Peninha, sendo que apenas uma, Dia-a-Dia, era de autoria de Peninha, as outras duas foram compostas por ele em parceria com Totó, o amigo de longa data que lhe deu o apelido Peninha, devido aos 50 quilos do cantor. Nem mesmo a gravação de Antonio Marcos, já um ídolo da canção popular, foi capaz de emplacar com as composições de Peninha. Depois vieram Vanusa, Ronnie Von, e Christian, mas nada aconteceu de extraordinário. Antonio Marcos gravaria mais uma vez, outra composição assinada por Peninha, a música “Era Sábado”(Antonio Marcos-Totó-Peninha) foi incluída no LP Antonio Marcos, de 1973. Um dos discos mais vendidos da carreira de Antonio Marcos, devido aos sucessos alcançados com as consagradas músicas “O Homem de Nazareth”, e “Como Vai Você”, mas a composição de Peninha passou batida mais uma vez.
Até alcançar o sucesso, Peninha lutou muito para ter seu nome reconhecido no mercado fonográfico. Entre 1972 e 1973, na gravadora RCA, fez seu primeiro registro fonográfico com a música “Grilo”, outra vez nada aconteceu. Grilado da cabeça, querendo entender o motivo de tanta resistência por parte do sucesso, partiu para a gravadora Phonogram em 1975. Lá ele gravou “Maquinas” e “Peso do Tempo”, não conseguiu atingir a meta de vendagem, mas o disco foi bem executado nas rádios e, pela primeira vez sentiu o gostinho do sucesso. Ainda não foi dessa vez, poucas pessoas no Brasil sabiam quem era Peninha.
A grande reviravolta na trajetória do batalhador aconteceria em 1977, ano em que o jovem apaixonado levou um tremendo fora da namorada. Deitado em sua cama, olhando para o teto abraçado ao violão, dedilhou baixinho em si menor cantando:
(...) quando o meu mundo era mais mundo / e todo mundo admitia / uma mudança muito estranha / mais pureza / mais carinho / mais calma / mais alegria / no meu jeito de me dar / quando a canção se fez mais forte / mais sentida / quando a poesia realmente / fez folia em minha vida / você veio me contar dessa paixão inesperada / por outra pessoa. / Mas não tem revolta, não / Eu só quero que você se encontre / Ter saudade até, que é bom / É melhor que caminhar vazio / A esperança é um dom / Que eu tenho em mim...
Tudo ia saindo muito baixinho, pois o pai do rapaz levantava cedo para trabalhar. E assim nasceu “Sonhos”. Peninha teve dificuldade de mostrar a música para o pessoal da gravadora em outro tom que não fosse o tom baixinho que havia feito em casa, mas logo ao cantar, todos gostaram e apostaram no sucesso de Sonhos. A comemoração veio logo depois do lançamento do disco, foram 400 mil cópias vendidas em três meses. Sonhos foi também a música brasileira mais tocada do ano.
Depois do sucesso de Sonhos, tudo ficou mais fácil para o artista Peninha. Em 1978, emplacou mais um sucesso “Que Pena” (Peninha – Roberto Livi). No ano de 79 foi bem mais fácil, pois o povo não encontrou dificuldades para curtir “Jogo Sujo” (Peninha). A partir do sucesso que alcançou com a composição Sonhos, Peninha ganhou respeito e admiração da classe artística. Nos anos 80 o cantor emplacou vários sucessos, estando presente na programação das rádios e da televisão. Como aconteceu com todos os artistas do segmento romântico, nos anos 90 não foi fácil pra ninguém, nem mesmo para quem já estava acostumado a fazer um sucesso atrás do outro. Década cruel para quem romantizou o Brasil nas brechas do rock progressivo, e durante a febre da discoteque dos anos 70. Década em que outra galera romântica ganhava seguidores e fãs, década de Leandro e Leonardo, Zezé di Camargo e Luciano, e da musa sertaneja Roberta Miranda.
Peninha só voltaria a ser lembrado e tocado novamente pela mídia, quando Caetano Veloso resolveu gravar “Sozinho”, grande sucesso na voz do autor e que, por outro lado apresentaria Caetano para um público que ele nem sabia que sempre teve, o povão, que comprou os discos do baiano até aos píncaros do suportável.

25 fevereiro 2008

QUATRO CANTORAS E QUATRO DESTINOS: ADRIANA, FAFÁ DE BELÉM, ROSEMARY, E VANUSA.




Nos anos 70, se dizia muito que cantora não vendia discos, até que uma mineira, que um dia já havia cantado boleros, resolveu cantar sambas e daí, tornou-se maior vendedora de discos do Brasil. Referência justa à Clara Nunes, que virou notícia com sua voz maravilhosa, e seu estilo próprio de cantar. Clara não viveu o suficiente para presenciar a posição que tomaria a mulher no cenário artístico a partir da década de 80, mas presenciou o estrelato que suas colegas Fafá de Belém, Adriana, e Vanusa, alcançaram no decorrer da década de 70. Rosemary e Vanusa vêm de longas datas, a primeira surgiu no começo da década de 60, estourou na Jovem Guarda e, reinou absoluta nas páginas de revistas, e nas telas da televisão brasileira, dos 70. A segunda, também foi revelação da Jovem Guarda, mas alcançou o auge somente no final do movimento, deixando rastros entre 1968 e toda a década de 70, figurando dentre os grandes nomes femininos da música, na década de 70. Adriana não tem tanta estrada quanto Rosemary e Vanusa, mas começou criança, vestindo azul para se destacar melhor, e mais tarde se tornar musa da Tropicália.
Quatro cantoras, quatro vozes, centenas de discos lançados, milhões de cópias vendidas, muita mídia, mais um pouco de esquecimento, que é já de praxe, e vai tudo pra história.

ROSEMARY CANTA E DANÇA. UMA ARTISTA COMPLETA


Rosemary, tantas vezes chamada de broto, tem trajetória de estrela internacional. Seu nome é sinônimo de sucesso e beleza, seu talento é inquestionável, sua luta também. Engajada, assim como as artistas de primeiro mundo, sempre preencheu espaços em campanhas sérias de âmbito nacional.


Embora, muitos admiradores se interessem pela vida pessoal da artista, que também tem muito do estilo hollywoodiano, Rosemary usa sua fama em prol de temas sérios, deixando de lado romances famosos, para abraçar causas como a erradicação do analfabetismo no Brasil. Em 1970, quando o país inteiro comemorava o tricampeonato mundial de futebol, Rosemary, ao lado de Chacrinha, Luiz Gonzaga, Teixeirinha, e outros artistas, encabeçavam a campanha criada por Alcino Diniz, de usar as caixas de fósforo para ensinar o povo a ler, idéia interessante que teve certo êxito. Três anos depois, a cantora seguia para o México, a convite do Canal 8, para estrelar o programa “Musicalíssima”. Ficou um mês e meio em cartaz, propagando a música brasileira e encantando os mexicanos. Na volta ao Brasil, brilhou no teatro em dezenas de musicais, atuou no cinema, embelezou a tevê, e tempos depois revistas alardeavam um romance dela com Morris Albert, aquele cantor de Feelings, que sumiu e ninguém mais viu. Em 74, com a música “Quero Ser Sua”, composição de Odair José, Rosemary entrou para a lista das dez músicas mais tocadas nas rádios. A estrela seguia o curso natural, brilhando e sendo vista por todos, até o homem mais poderoso do mundo, o presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, exigiu um show da cantora na Casa Branca. Rosemary fez sua parte cantando, a imprensa tratou de divulgar o fato para o mundo. Em 77, nenhum outro espetáculo foi tão comentado quanto o musical “Rose, Rose, Rosemary”, dirigido por Abelardo Figueiredo. No ano seguinte ganhou mais uma vez as paradas do rádio, com a dançante “Cara Pára, e Trata a Cuca”, tema do filme “Meus Homens, Meus Amores”.

Na década de 80, com a força do rock nacional afastando do caminho, tudo que não fosse do gênero, ficou difícil para uma estrela do naipe de Rosemary, encaixar no mercado a mesma linha que vinha trabalhando nos anos 70. Inteligente como poucas, recorreu aos amigos Roberto e Erasmo Carlos, ganhando deles, uma composição feita exclusivamente para ela. Como o mercado musical naquele momento só comportava três estilos, rock, baladas românticas, e o sertanejo, que dava seus primeiros gritinhos pelas vozes de Chitãozinho e Xororó, Rosemary se destacou com a romântica interpretação de “Jóia”, presente dos amigos, ficando por várias semanas em primeiro lugar com a música. Ainda nos anos 80, participou como atriz de novela global. Rosemary também aderiu ao estilo sertanejo, gravando discos e alcançando novos admiradores.
Rosemary Pereira Gonçalves é intérprete de prestígio e com uma história muito longa dentro do mundo musical. Começou cantando ainda criança, no palco do programa Clube do Guri. Rosemary arrancava aplausos e promessas dos que a ouviam cantar. Seu nome é popular desde 1962, quando gravou seu primeiro compacto aos 17 anos. O sucesso chegou quando as duas músicas que o disco trazia “Eu Sei” e “Reprovada” ganharam destaques nas paradas musicais do país. Palmas para Rose!

VANUSA, UMA BIOGRAFIA MUSICAL QUE POUCOS CONHECEM.

A figura mais pop da década de 70 tem nome e tem cara. Vanusa Santos Flores. As muitas aparições nos programas de tevê da época, eternizaram na memória de uma geração, o carisma e o timbre vocal de Vanusa. Os meneios de cabelos vão perdurar por muitos e muitos anos na memória do povo que a viu cantar. Paulista, de Cruzeiro, nasceu em 22 de setembro de 1947. Foi criada em Frutal, Minas Gerais, cidade onde iniciou a carreira de cantora como crooner do conjunto Golden Lions. Com apenas 16 anos, viajou por várias cidades do estado, fazendo apresentações com o grupo. O domínio de palco que demonstrava enquanto cantava, foi o que despertou interesse em Sidney Carvalho, produtor do programa Jovem Guarda, de investir na artista. O programa era apresentado por Roberto Carlos e fazia o maior sucesso. Sidney fez o convite para que Vanusa se mudasse para São Paulo, convite feito, convite aceitado. Uma estratégia de marketing bem elaborada resultou no lançamento da cantora como mais uma rival para Wanderléa. Sempre a Wanderléa. Na seqüência, ganhou participação fixa no programa O Bom, apresentado por Eduardo Araújo na TV Excelsior, e num abrir fechar de olhos estava contratada da RCA Victor, estourando com a música Pra Nunca Mais Chorar (Carlos Imperial e Eduardo Araújo). Aproveitando o sucesso da música, lançou o primeiro LP com o mesmo nome. Polivalente por natureza, Vanusa agregou mais uma profissão e foi integrar o elenco fixo de Os Adoráveis Trapalhões, ao lado do mega astro Wanderley Cardoso, e Renato Aragão. Com o início da década de 70, rendido ao seu talento e presença marcantes, passou a gravar composições próprias e abocanha mais um sucesso com a música Mundo Colorido. Em 71, ao lado do marido, o cantor galã Antonio Marcos, defendeu a música Namorada, no Festival Internacional da Canção, evento anual de grande apelo popular, promovido pela TV Globo. Depois da fama e do nome conhecido em todo país, foi somente em 74, que a cantora alcançou sucesso com vendagens de discos. O LP com a música “Manhãs de Setembro” (Vanusa e Mário Sierra), superou todas as expectativas da gravadora e da cantora também.
Em 1977, para comemorar seus 30 anos e um novo tempo na carreira, ficou em cartaz no Beco, em São Paulo com o show Vanusa Trinta Anos. Em um mês de apresentação na casa, Vanusa bateu o recorde de freqüência, lotando a casa em todas as apresentações. O show foi dirigido por Augusto César Vanucci, então marido da cantora, grande nome da televisão brasileira, e pai do filho da cantora, Rafael Vanucci.
Vanusa escreveu sua vida num livro, revelando passagens importantes da carreira e da vida particular.
ADRIANA, VESTIDA PARA CANTAR.

Em 1974, Adriana foi contratada para uma série de shows à bordo do navio italiano Enrico C. O cruzeiro marítimo com 1.200 pessoas a bordo, começou em Salvador no dia 30 de janeiro, com apresentações de Adriana cantando músicas em inglês, italiano, espanhol e em português. Quando desembarcou em Montevidéu, foi recebida com pompas de grande estrela, marcando presença nas programações das emissoras de rádios e televisão, cantando e dando entrevistas.
Adriana Rosa dos Santos nasceu em 1959 e começou a cantar desde criança. Conheceu o sucesso em 1974, com a gravação da música “Vesti Azul”, de Nonato Buzar. A música ficou vários meses em primeiro lugar nas paradas aqui no Brasil, mas não foi só isso, também foi primeiro lugar na BBC de Londres. A veia artística de Adriana vem de família, sua mãe Maria Helena foi vedete do Carlos Machado. Os primeiros passos da cantora foi em meados de 1965, na Jovem Guarda, ao lado de Martinha, Wanderléa , Meire Pavão, e Rosemary. Durante o Movimento Tropicália foi eleita rainha hippie do Brasil.
Nos anos 80, Adriana caiu na boca do povo com o hit “I Love You Baby”, o disco com a música, superou a marca das 700 mil cópias vendidas. A partir de então, Adriana passa a ser presença obrigatória nos programas de apresentadores como Chacrinha, Sílvio Santos, Bolinha, e outros. Simultaneamente, em todos os programas de televisão, Adriana aparecia cantando I Love You Baby. Com o sucesso da música, a cantora viajou o Brasil fazendo shows de norte a sul do país.

FAFÁ DE BELÉM, POPULAR DE VERDADE.

No letreiro luminoso do sucesso, Fafá de Belém pois o nome por último, entrou quando as portas já estavam escancaradas, mas nem por isso deixou de lutar por seu espaço. Tão logo surgiu, na última metade da década de 70, inebriou a todos com seu banho de cheiro, de essências trazidas do Pará. Fafá, sempre esteve em foco. É estrelíssima em Portugal, e atualmente experimenta no Brasil, na Rede Record, seu lado de atriz na novela Caminhos do Coração, correndo o risco de ser transformada em grande atriz, ou engolida por algum mutante, ou ainda, contaminada e jogada na ilha, afim de que não seja achada pelos humanos. Fafá de Belém sairá da experiência como entrou, uma grande cantora, sem medo de desafios. Do surgimento apoteótico, cantando as coisas da sua terra natal, passando pelas composições de Milton Nascimento, foi do bolero ao carimbó, do fado à lambada, foi musa das “Diretas”, e ainda cantou para o Papa. Uma mulher de peito, sem trocadilhos.
Maria de Fátima Palha Figueiredo, nasceu em Belém do Pará, em 1957. Como Fafá de Belém, está concretizada na história recente da música popular brasileira, como a dona dos ritmos. Imperial no romantismo que povoa os corações apaixonados, seu histórico dispensa qualquer recomendação à música, ou disco específico. Que outra cantora brasileira do nosso tempo, reúne no seu repertório, compositores de estilos e estirpes tão diferenciados? Fafá de Belém é dona absoluta da união perfeita entre gêneros da música popular. Interpreta obra de Roberto e Erasmo Carlos (Cavalgada), como se fosse inédita, feita sob medida para sua voz e encanto. Dentre os muitos compositores que gravou, interpretou obras de Waldik Soriano, Ivan Lins, Chico Buarque, Leonardo, José Orlando, Michael Sullivan, e outros.

FAMA VERSUS SUCESSO

Adriana, Fafá, Rosemary, e Vanusa, são inegavelmente famosas. Suas obras são acessíveis, principalmente a obra de Fafá, que anualmente lança seus discos. Quanto as outras, seus fãs tem sido alimentados por obras do passado, embora um passado recente, mas que deixa um vazio enorme para quem vive a expectativa da espera por um novo trabalho. Conhecidas e amadas, as cantoras não vêm encontrando gravadoras dispostas a investirem nos seus trabalhos. Posição que reflete bem a crise das gravadoras, e que aponta para um beco sem saída, ou para uma saída drástica que acarretará em despesa financeira para os artistas, que sem o apoio das gravadoras, terão que bancar do próprio bolso, os custos com músicos, estúdio, divulgação e distribuição. Situação propícia para se afirmar que fama não sustenta ninguém, nem mesmo as estrelas da música popular do Brasil.

















22 fevereiro 2008

NILTON CÉSAR - NOME QUE MERECE SER LEMBRADO SEMPRE



CONHECIDO PELO SUCESSO DA MÚSICA "PROFESSOR APAIXONADO", NILTON CÉSAR CONTINUA NA ESTRADA.

Infelizmente, o Rádio não tem cumprido com seu legítimo dever, que é informar, divulgar e entreter as pessoas. Nilton César é dono de uma obra extensa. Sua história é longa e merece atenção por parte dos programadores. Já escrevi sobre o artista aqui no blog, é só mexer nos arquivos, verá que a obra dele é patrimônio cultural do Brasil. Se estou exagerando? Apenas quero lembrar que Nilton Cesar é um dos últimos representantes do estilo que consagrou Orlando Dias, Moacyr Franco e outros arautos.

26 janeiro 2008

DOCUMENTÁRIO SOBRE EVALDO BRAGA REVELA, ENTRE OUTROS DETALHES DA VIDA DO ÍDOLO, QUE O ARTISTA CONVIVIA COM SUA FAMÍLIA.



ELE NÃO SAIU DO LIXO, COMO MUITOS ACREDITARAM.

Foi por imposição da gravadora Phonogram, onde o artista gravava pelo selo Polydor, que uma falsa história triste, repleta de tragédia, foi montada para sensibilizar o público e fazer de Evaldo Braga um dos maiores vendedores de discos de todos os tempos no Brasil. Para o grande público, e para a mídia também, o máximo que se sabia sobre o ídolo negro, era que ele tinha sido abandonado numa lata de lixo. Os produtores do documentário ouviram dezenas de pessoas, dentre elas estão fãs anônimos, amigos, colegas, críticos de música, e pasmem, um irmão de Evaldo Braga.
É muito comum, a gravadora montar um perfil para o artista e depois trabalhar como se aquilo fosse a verdade absoluta, pelo menos para o público, vide Sidney Magal, lançado como cigano, tendo até hoje quem acredite na fábula. Magal também foi lançado pela Phonogram, fruto da imaginação de Paulo Coelho (ele mesmo) e Roberto Livi, calouro da Jovem Guarda que conseguiu gravar alguns discos como cantor.
Depois de ouvir o irmão de Evaldo confirmar que o cantor morava com o pai e os irmãos, fico envergonhado pelas dezenas de matérias escritas após a morte do cantor, conjecturas mil acerca dos direitos, do destino do dinheiro proveniente das vendas astronômicas, da infelicidade de não poder conhecer seus pais, da solidão de Evaldo. Me revolta saber que a equipe da Phonogram, na época, leu um pungente artigo, escrito por Arthur da Távola na última página da revista Amiga, e não teve a sensibilidade de contar a verdade em seguida. Segundo o irmão do cantor, a família era proibida de falar no assunto, pior, tinha que concordar com a história da gravadora.
O mercado fonográfico só respeita o lucro do artista, não importa se o viés que os une é o carisma dele, ou o público, antes, suga até a última gota de sangue, depois qualquer lugar é valido para agonizar. Basta lembrar dos grandes vendedores de discos, do começo da década de 70, olhar para o passado e constatar como eles vivem hoje. São rejeitados pelas mesmas gravadoras, que preferem lançar coletâneas de sucessos, mesmo que não tenha o mínimo de qualidade, afinal, o público já conhece a música, pra que gastar dinheiro com qualidade, se eles são bregas, cafonas, e estão fora da mídia. Muitos artistas, sequer são avisados do lançamento de coletâneas da sua obra. Como se não bastasse a denúncia de roubo nos direitos de intérprete e de autor, são lesados ainda com as histórias que montam a seu respeito, passando por cima da honra e do direito do consumidor, que compra caju com sabor de manga.

Assista aos vídeos, depois deixe sua mensagem. Vale a pena assistir do começo ao fim. Ótima edição, excelente fio condutor com personagens apaixonantes. Parabéns pela iniciativa dos diretores de trazer a tona, a história do ídolo negro que sacudiu o mercado fonográfico, e até hoje encanta com sua voz possante e tema triste.
A VISÃO DA PRODUTORA NATORA PRODUÇÕES
"Fazer o melhor com o que se tem. Ênfase na ação como parte principal do processo. É fazer fazendo. A Natora Produções é uma produtora multimídia e busca uma nova forma de se produzir e sobre o que produzir. Acreditamos nas idéias e duvidamos do chamado momento certo para se fazer. Somos fatalistas e sabemos que a morte é a única certeza da vida. Nossa filosofia parte do conceito mercadológico do cash from chaos, introduzido no mundo dos negócios por Malcom McLaren, empresário dos Sex Pistols, e na ética punk/hip hop do faça você mesmo baseada na "brodagem". Esse conceito foi retirado da página do movimento Manguebit."

Um pedido aos leitores. Deixem recados no final do post, eles terão serventia.

14 janeiro 2008

UM DIA COM A CANTORA DIANA.



A MELHOR INTÉRPRETE DAS MÚSICAS DE RAUL SEIXAS, ABRE O CORAÇÃO E DECLARA SEU AMOR ETERNO À MÚSICA.

Desde 2001, quando iniciei a pesquisa sobre os ídolos da canção popular dos anos 70, e 80, Diana era o alvo principal. Por ela, virei noites na Internet, liguei para dezenas de empresários de shows, sem nenhum resultado plausível. Comprei seus LP’s, revistas com matérias sobre ela, conversei com produtores, e nada de Diana. Até que, em 2007, fiz contato com sua filha Clarice, que também é cantora. Na primeira semana de 2008, entrei em contato com Diana, a principal grife feminina da música popular dos anos 70. Achei Diana. Ela estava bem perto de mim, e na primeira oportunidade, marquei a entrevista na sua residência, na Região dos Lagos. Em Araruama, encontrei não somente a cantora apaixonada do Brasil, mas, a mulher guerreira que ao longo da carreira caminhou sozinha, apoiada somente em fé, e amor a profissão. Enquanto suas músicas estavam estouradas nas rádios do país inteiro, Diana dava expediente trabalhando numa repartição e cursava Processamento de Dados, e Jornalismo. Formou-se nos dois cursos, pela PUC-RJ.

ATUANTE NA CARREIRA E CONSCIENTE DO SEU POTENCIAL ARTÍSTICO

Diana, agora assina Dianah, segundo a própria, uma decisão pessoal. Apresentou-me seus discos antigos, e os mais recentes. A voz, que continua igual ou melhor de quando da sua estréia, foi exibida ao vivo exclusivamente para o entrevistador, que ganhou de presente os principais LP’s da cantora, cd’s e o primeiro compacto da carreira, gravado em 1969, na Caravelle. Dianah cantou suas novas composições, cantou também “A Música da Minha Vida”, entre outras tantas que o gravador registrou. Exigente, Dianah prima pela qualidade, dispensando apresentações vazias, que não esteja de acordo com sua visão, e descarta qualquer apresentação na TV, onde ela não possa falar do seu trabalho atual. Tem consciência de quanto é amada pelo público, da fidelidade do seu público, e para ele, reserva o que tem de melhor. Cuidando do figurino, dos detalhes do palco, e não descarta atendimento aos fãs. Não raro, Dianah tira do cachet que recebe em shows, dinheiro para ajudar famílias necessitadas, doação feita na cidade onde o show é realizado. Desprovida de qualquer prepotência, Dianah leva uma vida tranqüila, curtindo o mais gosta de fazer, compor, ler e cantar. A cantora também falou sobre os prejuízos sofridos na carreira, entre eles, as voltas de empresários corruptos, e os roubos por parte das gravadoras. Depois de sete anos lutando na justiça, a cantora ganhou o processo que moveu contra a CBS, atual Sony Music. Dianah enviou ao presidente Lula, uma carta de seis páginas, onde narra os descasos com a classe, e a falta de proteção aos direitos do artista. O presidente, que possivelmente já tomou umas biritas ouvindo Porque Brigamos, Fatalidade e Ainda Queima a Esperança, sequer a convidou para falar sobre o assunto, respondeu apenas com uma carta padrão. Dianah tem músicas gravadas em espanhol, é reconhecida em Portugal, amada no Brasil, mas não tem o respeito que merece como profissional que é. Seu último cd foi gravado ao vivo, no mega show realizado em Feira de Santana, com público de 35 mil pagantes apaixonados.

FELICIDADES, SHOWS, SONHOS E PROJETOS FAZEM OS OLHOS DE DIANAH BRILHAREM.

O encontro com a cantora faz parte da série de entrevistas que venho realizando com artistas importantes da música popular, projetados ao sucesso nos anos 70. A recepção calorosa e atenciosa, ainda na apresentação, levou-me a perceber de cara, que Dianah, além de educada por natureza, é cuidadosa com sua carreira de 38 anos. A casa aconchegante em frente à praia, não foi escolhida à toa, é de lá que a cantora compõe e encontra inspiração para letras tocantes. A convivência com o filho André de 21 anos, colecionador de músicas do mundo inteiro, e companheiro da mãe pelos shows no país, deixa Dianah inteirada sobre o que acontece de melhor no cenário atual da música. André, além de amigo também é fã da obra da mãe, principalmente dos discos mais autorais, como os álbuns de 76 e 78. Enquanto comenta sobre a obra de Dianah, André me convida para conhecer sua coleção de cd’s. A quantidade e a catalogação me impressionam. Todos os discos são catalogados por gêneros, país, e títulos. Voltando para Dianah, muitos assuntos regeram a pauta da entrevista. Raul Seixa redeu lágrima numa longa conversa. Thiago de Góes, brilhante escritor da nova geração, enviou-me seus dois livros (Contos Bregas / Lobas, Deusas e Ninfetas) afim de que fossem entregues à musa. Após a leitura das dedicatórias, a emoção de poder contemplar nas mãos, tão sublime homenagem, comemorou com os olhos brilhando, o carinho do jovem escritor. DVD está nos planos da cantora, ela pretende gravar um show elaborado mesclando teatro, com imagens da carreira.


SERVIÇO: shows com a cantora Diana
Dianah tem sua própria empresa, a ADHONAI – Gravadora, Editora e Eventos Internacionais, é por ela que pretende negociar seu patrimônio artístico.
Os shows podem ser contratados pelo telefone (22) 2267-0961

08 janeiro 2008

PILOMBETAS, PIGMEUS E POETASTROS, VERTERAM PSICODELIA NOS NEGROS ANOS 70.



DE NELSON NED A ERNESTO NAZARÉ, DE SÉRGIO REIS A VINÍCIUS DE MORAES, TUDO PASSARÁ. SÓ A MÚSICA É ETERNA (os rótulos também ficam)
Os anos 70, que tantos artistas fez brotar, revelaram nomes impossíveis de serem contados como esquecidos. Embora muitos já tivessem uma história iniciada nos tenebrosos anos 60, o néon que projetava anônimo ao estrelato, só deus as caras, de fato, no início da década de 70. Nilton César, Paulo Sérgio, Márcio Greyck e Antonio Marcos, são artistas lançados nos anos 60, mas que só tiveram reconhecimento popular a partir dá década de 70. Cada qual já contava, com no mínimo, um sucesso no currículo artístico. Teve menos sorte quem foi escolhido pela sua gravadora para estrear após 1968, e antes de 1970, além de se ver obrigado a triunfar sobre a persistente jovem guarda, esbarrou na poesia de Caetano, e nos parangolés que vestiam os cabeludos do movimento Tropicália. Por mais que se cantassem o verde do coqueiro, a brisa da praia-mar, ou os olhos da mulata, perdiam sempre para os traços lânguidos da coca-cola azul dos universitários. Perdiam, vírgula, pois ao manifestar-se o público nordestino comprando e ouvindo os discos, daqueles que logo foram tachados de turma da “cafonália”, revelou-se então, o tesouro financeiro que custearia os experimentos dos malucos tropicais. Caetano, Gil, Gal e Bethânia, mais Jorge Bem (antes do Benjor), e quem quer que fosse, não poderiam ir além da inovação, se não tivessem por trás, lhes sustentando, a máquina acelerada prensando milhares de discos de Evaldo Braga e Odair José, juntamente com outros grandes vendedores de discos. As cinco mil cópias de discos do Caetano, ou os três mil discos de Gil, não davam lucros à empresa, eram bancados pela quantidade astronômica de um milhão de cópias, que Odair José vendia pela Phonogram (selo Polydor). Como se não bastasse o lucro exorbitante que Odair dava à gravadora, o ídolo negro Evaldo Braga, da mesma Phonogram, estourava geral, vendendo discos no Rio, em São Paulo e nos demais estados da confederação. As oportunidades que tiveram na Phillips, de permanecerem lutando para que o povo ouvisse suas músicas nos primeiros anos da década de 70, Caetano, Gil e outros semelhantes, devem, principalmente a Odair José e Evaldo Braga.
PRISÃO E ROMANCE NA MÚSICA POPULAR
Diana, Carmem Silva, Márcio Greyck, Lindomar Castilho, Paulo Sérgio, Odair José, Evaldo Braga e outro gigante do disco, chamado pelo nome de Nelson Ned, são os verdadeiros desbravadores da música popular do Brasil. Porque Brigamos, Adeus Solidão, Impossível Acreditar Que Perdi Você, Ébrio de Amor, Última Canção, Vou Tirar Você Desse Lugar, Sorria, Sorria, e Tudo Passará, são músicas que o Brasil inteiro cantou durante os primeiros anos da década. Infelizmente, Caetano e Gil, não estavam no Brasil, não puderam ouvir a voz do Brasil. Como gênio que é (acho que já foi mais, quando falou, e fez coisas relevantes pela cultura popular), tão logo teve oportunidade, convidou Odair José para lhe acompanhar num dueto no evento que a Phillips realizou em 1973 (Phono 73), ao lado do autor da música, cantou Vou Tirar Você Desse Lugar, quero dizer tentou, pois a vaia foi ensurdecedora. Nada de bom para lado algum. Universitários medíocres e parcerias sem graça estimulante para aquele momento.

NELSON NED HOJE FAZ PROPAGANDA DA BOM BRIL, NO PASSADO, LUSTROU DE PRESTÍGIO, A FOSCA MÚSICA BRASILEIRA PELO MUNDO.
Os números do gigante não são sonhos, expressam verdades noticiadas na imprensa mundial. Nelson Ned fulgurou como autêntico autor de sucessos mundialmente conhecidos, e teve seu nome em destaque nas principais fachadas das mais renomadas casas de espetáculos das Américas, da Europa e da África. Pigmeu em estatura, gigante nos feitos e alcance de público. Quando Rita Lee e Paulo Coelho (o shoyo da música popular) compuseram em 1979, a música Arrombou a Festa, erraram na afirmação de que “sucesso no estrangeiro / ainda é Carmen Miranda”, esqueceram de mencionar o Morris Albert, que a essa altura já tinha sua “Fellings” regravada pela diva Sarah Vaughan, e outros totens da canção mundial. Contudo, a pior falha _não digo nem da dupla, mas do Paulo, que já havia colaborado na construção do mito Sidney Magal, e composto para dezenas de cantores populares e que, obviamente sabia do sucesso de Nelson no exterior_ foi esquecer de falar na letra, do fenômeno Nelson Ned. Nem que fosse para dizer: “baixinho no tamanho / mas gigante no talento”. Compreensível, afinal de contas Nelson Ned corria noutra raia, voava, para exemplificar melhor.

DADOS SEM PRECEDENTES NA HISTÓRIA DE UM ARTISTA BRASILEIRO NO EXTERIOR

Para situar o leitor, segue alguns números que coroam a carreira do cantor. Dados referentes ao período entre 1972 e 1974.
Portugal: show no Pavilhão dos Esportes para 8.000 pessoas pagantes.
Portugal: show na cidade do Porto, cantando no Teatro Monumental, com lotação esgotada.
África: show no Teatro Dica, de Lourenço Marques, para dezenas de milhares de pessoas pagantes.
Venezuela: show no Ginásio Maracaibo, cidade de Maracaibo, 40.000 pessoas pagantes.
Colômbia:show na La Media Torta, de Bogotá, para 80.000 pessoas.
Colômbia: em 1973, com a imprensa reunida, recebe o Disco de Ouro como o maior vendedor de discos daquele país.
Estados Unidos: em Miami, o alcaide do condado entrega a Nelson Ned a “Chave de Ouro de Miami City”, na presença de duas mil pessoas.
África: a Imprensa local, entrega a Nelson Ned o Troféu de artista mais popular da África Portuguesa.
Nas apresentações de Nelson Ned, não são apenas os comuns que se esmagam para vê-lo, as autoridades também querem um minuto com seu ídolo. Jimmy Carter, na ocasião em que era presidente da nação mais importante do mundo, exigiu um encontro com o cantor, aproveitando para discorrer sobre os discos de Nelson. Na República Dominicana, o vice-presidente do país, durante a passagem do cantor por lá, reservou na agenda, um dia só para estar com Nelson, recebendo-o oficialmente. No Panamá, seu maior admirador era o general Omar Torrijos, o “homem forte do regime”. Já no Haiti, onde fez apresentações em julho de 1974, o presidente vitalício do país, Baby Doc, assistiu ao show e depois foi cumprimentá-lo no camarim.
Na segunda semana do mês de junho, em 1974, Nelson foi notícia no mundo inteiro e “até no Brasil”. O fato? Lotou por duas vezes, no mesmo dia, o Carnegie Hall de Nova York, o auditório de maior prestígio no mundo. Com ingressos a 5 e 8 dólares, o público em delírio aplaudiu de pé. Para a apresentação, Nelson contratou músicos americanos, e cantou seus grandes sucessos, e ainda contou piadas. O jornalista Hugo Estenssoro, correspondente da revista Veja em Nova York, acompanhou os shows e entrevistou o cantor. Ao perguntar qual a razão de tantos aplausos fora do Brasil? Nelson explicou, categórico: “No exterior, sou estrangeiro.” Nelson falou como artista e como pessoa, reconhecendo o momento de glória oportuna, aproveitando a entrevista para revelar sua conduta diante da vida, e da profissão: “É quinta vez que venho a Nova York desde 1970. mas é a primeira em que me hospedo num hotel de luxo e tenho carro com chofer às minhas ordens. Antes, meus shows mal chegavam a botecos infames onde trabalhava quase de graça”. Enquanto o repórter elaborava outra pergunta, Nelson respondia com o óbvio: “Todos os anõezinhos que eu conheço são condicionados por seu tamanho, terminam no circo. Eu não: nasci armado. Dentro desse meu corpinho existe um diafragma normal. Isso é milagre. Mesmo assim, sou forçado a me superar. Quando tive oportunidade de gravar meu primeiro disco, nenhum compositor importante confiou-me canções originais. Precisei compor minhas próprias músicas. Eu me recuso a traficar com meu defeito”. Como se pode observar, desde cedo Nelson se preparou para enfrentar desafios, sendo ele próprio o maior de todos.
A revista Veja com a matéria, circulou em 26 de junho, de 1974, incluída na seção Show, onde trazia uma crítica da jornalista Maria Helena Dutra, sobre o show do cantor Gilberto Gil, no Teatro Tereza Rachel, no Rio de Janeiro. Entre outras observações, a crítica falou: Gilberto Gil não consegue se comunicar com o mundo. Desorientado, não chegou a completar, no ano passado, um álbum duplo pela Phonogram, sua gravadora. Recusava-se a aceitar como perfeitas, ou sequer acabadas, as experimentações musicais que fazia. Assim, o disco foi adiado e, em seu lugar, Gil gravou um compacto. (...) Sem surpresas, com alongamentos profundamente monótonos e gratuitos, a sucessão de composições mais parece um moto perpétuo que, sem nada acrescentar à pesquisa, liquida com as mais heróicas paciências. (o show durava 3 horas e 15 minutos) (...) Entre tantas alienações e hermetismos, resta a forte esperança de um reencontro de Gilberto Gil com sua poderosa força de criação.(...)
É a dualidade da profissão. Enquanto alguns querem _ou pelos menos deixam transparecer_ ser reconhecidos por intelectuais limitados, compreendidos somente por quem lhes cercam, outros são exaltados pela multidão simplória, mas que faz a indústria do disco andar (não sei até quando, mas ainda é o popular que manda no mercado. Não é mesmo, Ivete Sangalo?).

Relembre a estreia de Ricardo Braga e a opiniäo de Roberto Carlos em 28/05/1978

A estreia da cantora Katia em 1978 cantando Tão So

Mate a saudade de Nara Leao cantando Além do Horizonte em 1978

1 em cada 5 Brasileiro preferia o THE FEVERS 26/11/1978

Elizangela canta Pertinho de Você no Fantástico em 1978

Glória Pires e Lauro Corona cantam Joao e Maria

CLA BRASIL E MARINÊS

DOCUMENTÁRIO SOBRE EVALDO BRAGA / 3 PARTES - ASSISTA NA ÍNTEGRA

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