18 abril 2008

QUEM PENSA QUE SABE MUITO, DESCONHECE OU IGNORA A CULTURA POPULAR DO BRASIL E SUAS PRINCIPAIS VERTENTES.

É NA BOSSA CHATA DO ESQUECIMENTO QUE OS GÊNIOS VÃO FICANDO CADA VEZ MAIS LONGE DO RECONHECIMENTO DE QUEM MERECE SABER A VERDADE: O POVO, OU MELHOR, O PAÍS.
ELINO JULIÃO É GÊNIO, É BOM E MERECE SER FALADO.
Muito antes do rádio se transformar na chatice que é hoje, ele já tocou muita gente boa e mais, já fez história com seus intérpretes inesquecíveis. Não estou falando de Dalva de Oliveira, Nelson Gonçalves, Vicente Celestino, Orlando Silva ou mesmo Carmen Miranda, estou falando de Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga e do magnífico Elino Julião. Sem querer atacar o rádio, os locutores e as demais pessoas ligadas ao veículo, quero somente dizer que se houvesse interesse em fazer do rádio um instrumento de real valor cultural, além da força comercial apenas, os programadores usariam dos arquivos existentes e tocariam quem de fato é cultura popular, não ficaria martelando, enforcando, constrangendo os ouvintes com letras tão pobres e tão alienadoras como letras do tipo “...tudo que quer de mim... irreal expectativa”; ou ainda: o atual sucesso da cantora Dani Carlos. Compre, se ainda não tem, um MP3 urgente, e faça bom uso do aparelho. Vale a pena, para fugir do tédio que as mesmas provocam, por exemplo. Nada contra as cantoras, elas estão mostrando o que tem, mas tudo contra quem pode oferecer mais, mas nega tudo. Cadê o senso crítico? Em que cama repousa o crítico tão acostumado a interferir na programação? Já não tem mais valor, ou todos, entenderam de uma só vez afinal, que o Brasil não é Ipanema.
A BOSSA NOVA É DA CLASSE MÉDIA, SEGUNDO CARLOS LYRA
No ano em que a Bossa Nova completa 50 anos, e os pretensos pais brigam pela paternidade, seria majestoso assistir de casa, a volta do Ratinho com seu quadro popular “Teste de DNA”, ia ser um tal de saca papel, guardanapo e rascunhos, que o paranaense justificaria seu jargão “coisdelouco”. Não dá para entender essa gente que hoje lamenta a falta de patente da Bossa Nova. Vou de Moacyr Franco pelo gogó da Rita Lee contra eles e contra a bossa. O Carlos Lyra, um dos pretensos pais da Bossa Nova, disse e repetiu por mais de dez vezes no programa Roda Viva, que a Bossa Nova foi feita para a classe média, como se estivesse dizendo uma novidade. O senhor Carlos Lyra esquece que gosto musical não é definido por classe social, ou mesmo raça. Esquece ainda que o povo brasileiro gosta de ouvir o que mais tem a ver com sua própria história. Como negar que o mais famoso representante da Bossa Nova, o nordestino João Gilberto, foi quem inovou a música brasileira nos anos 50? O senhor Carlos Lyra não nega isso, mas esquece de dizer que João Gilberto, que sempre se negou inventor da Bossa Nova, teve como principais influências musicais, o rei do Baião Luiz Gonzaga e outro rei, o cantor das multidões Orlando Silva. A Bossa Nova não faz sucesso no Brasil, não é pelo fato de ser exclusiva da classe média, mas por não trazer nada de inovador dentro do próprio segmento. Ninguém agüenta ficar ouvindo os discos de Carlos Lyra por mais de duas horas. Tem seus méritos como artista, mas não é reconhecido por aqui nem mesmo pela classe média, com raríssimas exceções. A meia dúzia de jornalistas que o enaltece, ainda são os mesmos que nos anos 70, batizaram por cafonas Waldick Soriano, Lindomar Castilho e Odair José, ou seja, os cantores dos pobres. Durante seus 50 anos de existência, a Bossa Nova continua a mesma. Música para intelectuais de Ipanema que hoje estão na casa dos 70 anos de vida. Se há realmente classe média comprando os discos de Bossa Nova, elas estão no Japão. Por que será?

ENTRE O “SAMBA DO AVIÃO” E O BALANÇO DO “BARQUINHO”, EU VOU PRO “MELA-MELA”
Todos querem um pouquinho de prestígio, mas poucos se perguntam por Elino Julião. E não vai ser na TV pública, nem na escola, que vão ouvir falar do gênio Elino Julião, pois os professores, os mais antigos, ainda acreditam que compositor mesmo é o Chico Buarque. Nem que seja por questão de opinião. Cazuza, um jovem compositor poeta, urbano, mas sensível, rico de berço, porém famigerado pelo que dizia, já desabafou na canção o que eu quero dizer agora: “estou cansado de tanta babaquice, tanta caretice, desta eterna falta do que falar”. Nem o fato de termos um cantor popular ocupando o cargo de ministro da Cultura, nos garante que um dia esta geração venha a conhecer a obra de Elino Julião. Mesmo o ministro tendo um dia, declarado que Luiz Gonzaga foi sua base, não nos dá esperança que um dia ele venha falar de Elino Julião.


QUEM FOI ELINO JULIÃO? UM POUCO DA SUA HISTÓRIA
Compondo e cantando músicas como “Foi Morar Com o Guarda”, “Meu Cofrinho de Amor”, “Olá Bicho”, “Amor Enchucalhado” e “O Mela-mela”, Elino Julião da Silva marcou sua passagem pela Música Popular do Brasil como um dos mais interessantes representantes do gênero que o povo gosta e preserva há mais de 70 anos, o velho forró. Elino fez parcerias importantes com Messias Holanda, Coronel Ludegero, Jackson do Pandeiro, Marinês e outros. Foi reconhecido em vida pelo rei do Baião Luiz Gonzaga, que gravou várias composições de Elino Julião.
Nascido em Timbaúba dos Batistas, no Rio Grande Norte, em 13 de novembro de 1936, iniciou carreira artística em 1950, cantando na Rádio Poti as músicas de Jackson do Pandeiro. Em 1970 sua música deixa o exclusivo reduto nordestino para ganhar o Brasil por meio da canção “O Rabo do Jumento”, composta em parceria com Dílson Dória. Por mais de 40 anos ele divulgou e valorizou a cultura nordestina nos lugares por onde passou, como no Rio de Janeiro, em 1960, quando ganhou de Jackson do Pandeiro a força que precisava para levar seu trabalho adiante. Uma das grandes admiradoras do trabalho de Elino Julião foi a escritora imortal Rachel de Queiroz, que na contracapa do cd gravado com os grandes sucessos do artista ela escreveu: “Lembrar à mídia e à industria radiofônica que a autenticidade da Música Nordestina pode fazer sucesso, é tarefa dos artistas que cantam o Nordeste, sua cultura e sua gente. Elino Julião é um desses...”. A gravadora CBS, em 1968, foi quem lançou o primeiro disco do cantor com o título engraçado “Rabo do Jumento”. A partir daí, Elino constrói uma longa e rica carreira, obtendo respeito da classe artística e dos intérpretes que valorizavam suas composições. Genival Lacerda, Capilé, Abdias e Sua Sanfona de 8 baixos, Anastácia, Zé Calixto, Messias Holanda, Clemilda, Coronel Ludugero, Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Xangai, Jorge de Altino, Hermelinda e Tetê Espíndola, são alguns dos nomes. A obra do artista está registrada em mais de seiscentas músicas gravadas e consta dentre as obras mais importantes do país para quem deseja conhecer a fundo, os valores musicais brasileiros, principalmente as riquezas do Nordeste e sua gente. Elino Julião morreu aos 69 anos no dia 19 de maio de 2006, certamente um dos dias mais tristes para a história da verdadeira música popular do Brasil.
“O MELA-MELA” NO RECIFE EM FEVEREIRO
Eu vou é pro mele mela / Eu vou é pro mele mela / Eu vou é pro mele mela / Eu vou me melar mais ela... É uma festa que entra gente de fama / que mela a gente de lama e com tisna de panela / a brincadeira do mela-mela é quente / a gente bebe água quente / e entra no mela-mela.
Apesar de ter tido acesso à bossa nova na minha infância, o que mais me impressionava nas músicas que ouvia, era a vida engraçada e o ritmo alegre que Elino Julião passava. E “O Mela-mela” é sem dúvida um marco sonoro na minha vida de 36 anos.

10 comentários:

Anônimo disse...

Rapaz, sempre leio teu blog. Muito bom, como disse antes. Dá pra gente trocar links? Eu coloco seu blog no www.revivalrecords.blogspot.com e você o Revival Records no seu ótimo blog.
Abração:
Wilde Portella

Anônimo disse...

Querido! Josué, como sempre vc nos emociona com seus textos documentais. fico impressionada com sua capacidade e ousadia de nos mostrar o que realmente temos em nosso baú cultural, e que há muito está esquecido por quem seria de direito de informar, divulgar e tocar. afinal vivemos em uma democracia e como Brasileiros temos o direito de termos acesso a ao grande acervo cultural que temos, seja musicalmente como em todos seguimentos. você é um gênio em nos apresentar nossa musica de raíz e com estilo próprio. parabéns não pare nunca você nasceu para isso. bjs
MM

nota na pauta disse...

parabéns pelo trabalho de trazer para a frente do palco da nossa música os cantores e compositores populares que sofreram o desprestígio da crítica. O cantor popular, cafona ou brega, como queiram classificar, foi alijado dos compêndios da historiografia da música popular brasileira.

Pena ter sido assim: perguntem a joão gilberto e ele dirá que o grande cantor de sua época era anísio silva; lupicínio rodrigues e luiz gonzaga só foram realmente "descobertos" nos anos 70; e o próprio roberto carlos era escutado às escondidas pelos de "bom-gosto".

Só acho que não é necessário desmerecer a obra de excelência de tom jobim e chico buarque e suplantá-los pela relevância do que se chama de "cultura popular do brasil". Rejeitar a bossa de newton mendonça e vinícius pode ser tão preconceituoso e injusto quanto celebrar acriticamente a canção de waldick, odair e nelson ned.

saúde e sucesso, meu caro

joêzer.

Josué Ribeiro disse...

Prezado joêzer.
Sou grato pelo seu recado e pelos elogios, mas quero fazer um adendo: sou contra todo tipo de preconceito, principalmente musical, mas me acho no direto, sei que vc também, de opinar sobre meu gosto pessoal. Gosto do Tom Jobim sim, não tenho nada contra os músicos, mas contra quem faz a crítica a seu bel prazer, sem a menos se permir conhecer a obra do artista. Grande abraço meu caro, e continue prestigiando o blog e dando sua opinião.

Anônimo disse...

Caro Amigo, gostaria de parabenizá-lo pela homenagem ao grande Elino Julião e eu, por minha vez me sinto honrado em ter nascido no mesmo Estado que ele nasceu (RN). Sou fã incondicional deste grande artista. Aproveito o ensejo e deixo aqui o endereço do meu recém criado Blog www.maninhodesenhos.blogspot.com Um grande abraço. Carlos Magno (Maninho) Mossoró-RN. MSN: maninho1967@hotmail.com

Thiago de Góes disse...

Josué,
ele é da minha terra. Eu vi um show dele no teatro alberto maranhão. muito bom!

Rui disse...

Sou de Cuiabá. Gostaria de registrar aqui minha admiração pela autêntica música nordestino. Elino Julião, sem dúvidas, é um dos grandes ícones dela, e por que não dizer da MPB, afinal de contas não conheço nenhum estilo musical tão popular no Brasil como o forró. E se é popular, é MPB. Tenho a coleção completa do Elino, em vinil. Tenho outras também, como Trio Nosdestino, Jackson do Pandeiro, Gozagão, Marinês, João Gonçalves, Sivuca, e outros. Parabéns pelo blog. Parabés ao povo nordestino pela musicalidade. A humanidade precisa cantar mais, dançar mais, viver mais. Os nordestinos são a maior prova de que só o dinheiro não faz ninguém feliz. Abraços a todos.

Anônimo disse...

Rui tambem sou colecionador de forro.colaboro bastante com o forroemvinil emprestando discos para postagem.eu gostaria de ter em minha coleçao as seguintes musicas de elino juliao sao elas.
1 forro da coreia.
2 na minha rede nao.
3 xeleleu.
4 rela bucho.
5 o pai da gabriela.
6 criança nao mente.
7 guanabara, Ze Lima De Niteroi

Anônimo disse...

jslima1959@hotmail.com ze lima de niteroi.
se alguem poder me ajudar enviando as musicas de elino juliao . agradeço desde ja ze lima de niteroi.

Anônimo disse...

toda semana eu entro nesse blog
para ver se tem novidades sobre elino juliao.

queria pedir ao amigo Rui

se ele poderia mandar o audio de alguma das musicas citadas no comentario acima.

obrigado por tudo
ze lima de niteroi rio.

jslima1959@hotmail.com

Relembre a estreia de Ricardo Braga e a opiniäo de Roberto Carlos em 28/05/1978

A estreia da cantora Katia em 1978 cantando Tão So

Mate a saudade de Nara Leao cantando Além do Horizonte em 1978

1 em cada 5 Brasileiro preferia o THE FEVERS 26/11/1978

Elizangela canta Pertinho de Você no Fantástico em 1978

Glória Pires e Lauro Corona cantam Joao e Maria

CLA BRASIL E MARINÊS

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