01 outubro 2007

ENTREVISTA COM CLÁUDIA TELLES



EXCLUSIVO PARA O BLOG MUSICA POPULAR DO BRASIL

"Vi artistas começando, pois fiz vocal em seus primeiros discos como Fafá de Belém, Belchior, José Augusto, Fernando Mendes, entre outros."

Sua herança musical está ligada diretamente com a história rica e curta, de uma das maiores cantoras que o Brasil já teve, SylvinhaTelles. Mas nem por isso, Claudia Telles foi bater nas portas das gravadoras, se apresentando como tal. Antes de se tornar uma cantora famosa, ela enriquecia com sua voz metálica, os trabalhos musicais de vários astros da música, participando dos vocais. Claudia Telles entrou nos corações brasileiros em 1976, quando gravou pela gravadora CBS, o compacto com a música Fim de Tarde (Mauro Motta e Robson Jorge), sucesso absoluto de execução nas rádios do país inteiro. De lá pra cá, emplacou vários sucessos nas paradas, ganhou prêmios, e reconhecimento na carreira. Músicas como Eu Preciso Te Esquecer (Mauro Motta e Robson Jorge), Miragem (Mariozinho Rocha – Renato Correia – P. Sérgio Valle) e Eu Voltei (Mauro Motta e Ernesto Escudero), estão cristalizadas na memória do povo. Apesar de entrar no rol da fama, cantando músicas rotuladas de "simples", Claudia está longe de ser considerada uma cantora simples, pois sua obra é extremamente cuidadosa, merecendo elogios e atenção de compositores como Tom Jobim e outros medalhões da música popular brasileira. Para que o leitor do blog conheça um pouco mais da carreira e da vida da artista, convidei-a para esta entrevista e deixo agora, que a própria ClaudiaTelles fale por si.

MP do Brasil: Primeiro, dizer que é um prazer ter a sua participação no blog, nunca é demais. Segundo, quero pedir que não economize nas respostas, assim, o leitor ficará sabendo muito mais sobre você. Para começo de conversa, fale sobre como foi sua infância, Você se recorda da primeira música que lhe chamou a atenção na vida? tinha quantos anos?
CLAUDIA TELLES: Eu não me recordo, mas minha mãe dizia que eu cantava Cachito mio, o tempo todo, quando era bem pequena.

MP do Brasil:
o fato de ter ficado órfã ainda menina, lhe impediu de
poder acompanhar de perto, a trajetória da magnífica Sylvinha Telles. Quando foi que brotou a consciência do que significava o nome e a importância de sua mãe no panorama musical brasileiro?

CT: Na verdade eu tive muitas oportunidades de acompanhar a mamãe em shows e programas de TV, e por isso sabia que ela era uma artista muito conhecida, mas só quando me tornei cantora, é que pude perceber o imenso carinho e respeito de todos para com ela.

MP do Brasil:
a partir do momento que começou a cantar, até o dia em
que foi contratada pela CBS, o quê fazia musicalmente?

CT: Fazia vocal no disco de outros artistas como Roberto Carlos, Jorge Benjor, Gilberto Gil, Dominguinhos, vi artistas começando, pois fiz vocal em seus primeiros discos como Fafá de Belém, Belchior, José Augusto, Fernando Mendes, entre outros.

MP do Brasil:
vamos voltar ao dia em que você ficou sabendo que
gravaria seu primeiro disco, como foi? Quem estava com você, o repertório, o futuro como cantora e tudo mais que uma carreira exige. Esmiúça, parte por parte, a sua emoção naquele dia.

CT: Na verdade eu já havia sido contratada pela Polygram e havia ficado um ano lá, esperando para gravar. Na época, o diretor artístico era o Jairo Pires, e quando ele saiu da Polygram, me levou junto com seus cast para a CBS. Lá, os produtores Mauro Motta e Walter D'Ávila Filho, me chamaram para gravar Fim de Tarde, a música ainda não tinha letra, me mostraram apenas a canção e eu me apaixonei com a melodia na hora. Quando a música ficou pronta no estúdio, pedi para chamarem para o vocal o pessoal com quem eu trabalhava, Golden Boys e Trio Esperança. Foi emocionante vê-los colocando vocal num disco meu, eu que já havia feito vocal no disco deles tantas vezes.

MP do Brasil:
passando pela divulgação, variedades de programas, tanto
no rádio como na televisão. Em qual programa você se apresentou pela primeira vez? Conte-nos em detalhes.
CT: Mesmo sem ainda ter gravado, volta e meia eu era chamada para fazer programas de tv, já havia feito um Fantástico, programas como Mauro Montalvão e Aérton Perlingeiro, no Rio, mas o primeiro programa em que apresentei Fim de tarde, foi no Almoço com as estrelas do Airton e da Lolita Rodrigues, em São Paulo. Foi bem engraçado, pois o Airton esquecia tudo e a Lolita ia soprando as coisas para ele, e ele me apresentou assim: Agora vamos chamar uma cantora nova, filha de uma queridíssima cantora a...a...a... e a Lolita assoprou-Sylvinha Telles, que vai lançar seu primeiro compacto com a música Fim de tarde a cantora...e Lolita de novo, Claudia Telles.

MP do Brasil: em 1976, ano em que Fim de Tarde estourou nacionalmente, você declarou à revista Amiga, que sua preferência era por cantores negros americanos como Diana Ross, Dionne Worwick e Stevie Wonder. Dos nacionais,
você citou Jorge Ben (Benjor). De lá pra cá, sua preferência mudou ou continua apreciando os mesmos?
CT: Minhas preferências continuam as mesmas, mas com o tempo a gente vai aprendendo a gostar de mais coisas!

MP do Brasil: ainda no ano de 1976, apesar da ditadura militar em que o país vivia, o romantismo tomava conta do povo. Além da sua música, Hermes Aquino estava estourado com a música Nuvem Passageira. Seu repertório romântico, era uma coisa sua ou imposição da gravadora? Você é romântica Claudia Telles?
CT: O repertório romântico é uma coisa minha, até hoje é, sou uma pessoa romântica e sonhadora, embora tenha os pés bastante no chão, mas minha visão é que a vida já é dura demais, para quê ficar rebatendo isso toda hora nas canções? Claro que a gente não pode deixar de falar sobre as necessidades de justiça social, política, ter um posicionamento perante isso, mas música pra mim é um oásis.

MP do Brasil: a telenovela, ao longo de sua implantação no país, é certamente, quem mais dita costumes no Brasil. Ela também lança cantores, divulgando suas músicas. Locomotivas (1977) e O Amor é Nosso (1981), novelas da Rede Globo, são novelas nas quais você tem músicas inseridas no LP de trilha sonora. Até que ponto isto ajudou a
impulsionar sua carreira?
CT:
Quando Eu preciso te esquecer entrou na novela, eu já era conhecida nacionalmente com Fim de tarde, e eles vieram buscar a música dentro do estúdio quando souberam que eu estava gravando um lp, eu já havia ganho vários prêmios como revelação, mas a novela é uma forma de divulgação instantânea, ainda mais se o personagem que a canção acompanha se torna querido do público, e a novela tem ibope. Automaticamente a música começa a tocar nas rádios, os programas de tv começam a chamar e assim acaba virando sucesso, é uma alavanca e tanto.

MP do Brasil: na década de 70, quem vendia discos no Brasil, além de você, era a Diana, a Perla, o Odair José, o Marcio Greyck e outros. Todos com grande aceitação por parte da maioria do público nacional. Todos com repertórios românticos. Atualmente, alguns gravam por selos pequenos e há muito, não usufruem espaços na mídia como "antigamente". Na sua opinião, o que mudou? O que aconteceu no mercado, além da obvia e necessária renovação?
CT: Existiram vários fatores para isso, novos diretores querendo elitizar as gravadoras, isso aconteceu na CBS, Marcio Greyk já estava na lista de ser mandado embora quando estourou Aparências, no meu caso, eu ainda tinha 3 anos de contrato com a CBS e mais 3 lps, e o diretor artístico, que era novo lá, na época virou-se pra mim e disse que não sabia o que fazer comigo, pedi a rescisão e saí, era garota ainda, não entendia muito bem das coisas, mas preferi sair do que ficar num lugar onde já não me sentia bem quista. Fora isso, implantaram uma forma de divulgação paga, o tal jabá, que se tornou um monstro tão grande, que as próprias gravadoras acabaram sucumbindo a ele junto com a pirataria.

MP do Brasil: percebe-se uma mudança no seu repertório, que até 1988, seguia com pequenas variações, semelhante ao primeiro LP. Houve uma mudança de repertório ou maturidade mesmo?
CT:Eu sempre gravei Bossa Nova, só não gravei no lp de 1988 porque eu queria mostrar meu lado de compositora. Com a dificuldade de divulgação a gente acaba gravando coisas que a gente tem certeza que se divulgam sozinhas, como os cds que faço em tributo, escolho compositores que curto, canções que gosto de cantar e acabo matando 3 coelhos com uma cajadada só, as músicas se divulgam. Homenageio nossos grandes compositores e não deixo as canções no esquecimento.

MP do Brasil: em 1995, você lançou o cd Claudia Telles interpreta Nelson Cavaquinho & Cartola, por sinal, um disco maravilhoso e oportuno. Desde então, seu trabalho assume uma identidade mais voltada para as raízes musicais do Brasil, como o samba e outras bossas. Aquela Claudia da música Fim de Tarde, cresceu, morreu ou também entra nessa fase "madura"? O que houve de evolução na sua carreira dos anos 80 pra cá?
CT: Na verdade eu sempre me considerei uma intérprete, mas como havia um direcionamento para o romantismo somente, nunca me permitiram mesclar mais o meu repertório, mas em shows, sempre misturava canções, sambas e bossas. A Claudia de Fim de tarde continua aqui, amadurecida musicalmente com certeza. Esse disco do Cartola e Nelson Cavaquinho, pra mim foi uma benção, pois o pessoal da mídia tinha um certo entrave comigo e achavam que eu ainda era aquela menininha de Fim de tarde e não me levavam muito a sério não, mas com o cd do Cartola e Nelson, o que mais ouvia era: Nossa, como ela canta bem!
Eu não parei no tempo, mas as pessoas haviam me parado no seu tempo, ainda cantando Fim de tarde.

MP do Brasil: o cd "Por Causa de Você – Dedicada a Sylvinha Telles", lançado em 1997, pode-se dizer dele, que é um marco na sua carreira?
CT:Não, esse cd não foi um marco na minha carreira, acredito que o do Cartola sim, ele foi um divisor de águas, esse cd era um desejo muito antigo, desde que comecei a cantar sozinha e que me prometi fazer essa homenagem a minha mãe. Por coincidência, consegui fazê-lo ao completar 21 anos de carreira, então digamos que foi minha maior idade musical.

MP do Brasil: quando você gravou "Demais" (T. Jobim e Aloísio Oliveira) no seu LP de 1979, já havia um interesse seu pela obra do compositor Antonio Carlos Jobim?
CT: Claro, cresci ouvindo isso, e eram essas canções, que me chamavam pra cantar nos programas de tv, antes de eu ter minha própria canção. Em 1977, eu já havia regravado Dindi, no lp que veio com o sucesso Eu preciso te esquecer, nesse mesmo lp regravei And I lover her, dos Beatles.

MP do Brasil: fale sobre os cd's "Chega de Saudade – Um Tributo a Vinicius de Moraes" (2000) e "Tributo a Tom Jobim" (2005). Como surgiu a idéia? Como foi a aceitação do público?
CT: No cd do Vinícius, eu fui chamada pelo Vinícius Piano Bar, para fazer uma temporada em homenagem ao Vinícius, porque cairia na semana de aniversário de morte dele, montei um repertório especificamente para o show, e o show deu tão certo que acabou virando cd, e o cd do Tom, acabei fazendo pelo mesmo motivo, 10 anos sem nosso mestre Tom, e graças a Deus as pessoas gostam muito.

MP do Brasil: entre os discos dedicados a Vinicius e Jobim, você gravou em 2002, o cd "A Arte de... Claudia Telles" e "Sambas & Bossas, também de 2002. Seu público mudou?
CT: O público não muda, ele amadurece também, e outros passam a te conhecer, e assim como eu, passa a gostar de coisas novas ou diferentes, ou que quando crianças não ligavam muito, mas aquelas canções ficam marcadas em nossa alma, e quando a maturidade vem, elas tem gostinho de infância, é bem isso.

MP do Brasil: já aconteceu no meio de um show, cantando bossa nova, alguém pedir Fim de Tarde?
CT: Em todos os shows, seja em qualquer repertório sempre pedem Fim de tarde.

MP do Brasil: Claudia Telles é um nome muito lembrado por quem tem entre 35 e 40 anos. Resultado do seu carisma e talento, apreciado pelos leitores de revistas e telespectadores dos programas de TV apresentados por Sílvio Santos, Aérton Perlingeiro, Chacrinha e os demais. A falta de espaços para os cantores na televisão, interfere na direção da carreira de um cantor? Quanto mais popular, melhor ou não?
CT:Claro que interfere, porque fica difícil demais quando a gente fica muito tempo sem aparecer na tv. Não digo que quanto mais popular melhor, mas que a falta de espaço faz a gente ter um trabalho triplicado para gravar e divulgar nosso trabalho.

MP do Brasil:como está sua carreira hoje?
CT: Minha carreira caminha, vamos fazendo o que podemos fazer, porque hoje, as gravadoras não querem mais bancar os cds, a gente tem que entregar tudo pronto para eles e, mesmo assim, as vezes eles não querem lançar o cd.

MP do Brasil: a Claudia Telles em família. Tem filhos? Quantos? Vem mais artistas por aí?
CT: Claro que tenho família, não nasce de chocadeira, né? rsrsrs Tenho 3 filhos, o mais velho é artista plástico, o do meio professor de educação física, e o pequeno, ama cantar e já fez algumas séries na globo, mas não sei se quero que ele seja artista não.

MP do Brasil: qual a importância da Internet na carreira do artista? Você é internauta? Indique alguns endereços que você freqüenta na rede.
CT: Hoje e internet é quase tudo na vida do artista em termos de divulgação e proximidade com o seu público, ficou tudo mais fácil e mais perto. Tenho orkut, tenho blog, temos hospedagem e criação de blogs e sites que é a Festim.net, passeio muito na net, pesquiso muito também, não só para os filhos, mas para meu trabalho musical.

MP do Brasil: recado para os fãs que não esquecem da música Fim de Tarde.
CT: Que continuem a lembrar de mim, com esse carinho que tanto me faz bem!

MP do Brasil: há algo que não foi perguntado, citado ou lembrado, que você gostaria de acrescentar? O espaço é seu.
CT: Já estmos elaborando um novo cd e assim que conseguirmos concretizar eu aviso por aí...rs

MP do Brasil: muito obrigado pela sua atenção, pelo carinho e pelo seu talento.
CT:Eu que agradeço a lembrança, o espaço e o carinho. O talento a gente agradece a Deus!

Beijo grande


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