04 abril 2008

O WALDICK SORIANO QUE A GERAÇÃO DO FUTURO VAI GOSTAR DE CONHECER.

DOCUMENTÁRIO DE PATRÍCIA PILLAR SOBRE WALDICK SORIANO REVELA A MAGIA FOLCLÓRICA DO DURANGO KID DO NORDESTE.
“Waldick Soriano – Sempre no Seu Coração”, é mais que um documentário, é um mergulho profundo na alma do cantor. Exibido durante o festival É Tudo Verdade, o documentário que a atriz Patrícia Pillar produziu e dirigiu sobre a vida do cantor Waldick Soriano, tenta montar com os retalhos da alma do artista, um painel diversificado da intimidade do homem, e da veneração popular pela lenda do romantismo brasileiro. “Queria saber por que sua trajetória aconteceu daquela forma. Por que foi posto no nicho do cafona, depois brega e assim ficou?, Waldick tem 82 discos, uma obra musical grande, com pérolas como Tortura de Amor, A Dama de Vermelho, Quem És Tu? e Paixão de Um Homem. Acho tudo um deslumbre. De alguma maneira, Waldick construiu um estigma em torno dele, que ficou”, indagou ainda em 2006. Na mesma entrevista onde fez a declaração, Patrícia disse que aproveitaria esses exemplos para mostrar como as elites tratam artistas populares. Do retorno a Caetité, cidade de origem de Waldick, passando pelo depoimento da primeira namorada, tudo é emoção. O lado família é revelador quando a relação conflitante com um dos filhos é captada pela lente da câmera em plena noite paulistana, precisamente no bar da empresária Lílian Gonçalves, filha de Nelson Gonçalves. As mulheres que passaram pela vida do cantor, muito bem aproveitadas por Patrícia, ajudam a narrar, em partes, a vida amorosa de Waldick, comprovando a fama de mulherengo e a turbulência afetiva nos namoros. Um cabaré também serviu de cenário para ilustrar o domínio do rei nos corações despedaçados.
NUM CINEMA COM 30 ESTUDANTES DA REDE PÚBLICA ASSISTINDO AO FILME DE PATRÍCIA, PERCEBO O QUANTO WALDICK É ENGRAÇADO.
A sessão das 16h, no Ponto Cine de Guadalupe, era a que me restava para ver o documentário, havia perdido as exibições nas redondezas donde eu moro e não queria correr o risco de ficar sem saber o resultado dos anos de trabalho de Patrícia Pillar. Ao entrar na sala fiquei atônito com a algazarra dos 30 adolescentes, que não perdoavam nada. Começou minha tortura só em pensar que aqueles meninos fossem boicotar a minha única sessão. Mas não foi bem isso que ocorreu, as funcionárias do Ponto Cine conversaram com eles explicando a necessidade do silencio e da probabilidade de pô-los pra fora, caso não cumprissem com as normas da casa. Tudo falado com muito amor, paciência e respeito aos imberbes cinéfilos. Assim como eu, morando distante de Guadalupe, um senhor, fã incondicional de Waldick, saiu de Copacabana para prestigiar o ídolo. O riso vem fácil logo na primeira cena quando o chapéu de Waldick trepida sobre o painel do carro. O conteúdo das letras, a voz de Waldick, e o ritmo das músicas, também excitavam a meninada. Com dez minutos de exibição, um estudante gritou: “Vai pro AA bebum!”. Daí por diante, em cada cena que Waldick entornava um mé, era aquele alvoroço. “larga o copo tiozinho!”, “de novo tio!”. Confesso que nada me distraiu, até mesmo quando um fã de Waldick, cheio de álcool até a tampa, dá seu depoimento para diversão geral da platéia. A melhor cena para eles, pelo que pude perceber, é quando imagens em preto e branca do Durango Kid aparecem na tela. Outras cenas como as que aparecem Roberto Muller (somente imagem), um imitador de Roberto Carlos, e um cover de Elvis Presley, são muito celebradas pelos estudantes. A imagem rara do Chacrinha também despertou curiosidade, era a lenda se manifestando. Quando de repente entram na tela os créditos finais, a grande maioria se perguntava: “já acabou?”. O cantor já estava consagrado para eles, quando em coro, todos aplaudiram gritando: “Waldick! Waldick! Waldick! Muito boa, a sessão. Voltarei qualquer dia para assistir um bom filme em Guadalupe.
COMO DIRETORA, PATRÍCIA DEIXA TRANSPARECER O CUIDADO EXAGERADO COM A PRESERVAÇÃO DA INTIMIDADE DO ARTISTA WALDICK SORIANO.

Na primeira experiência de Patrícia Pillar como diretora, tudo ocorre de maneira simples, nada de excepcional com edição, isso inclui montagem, roteiro, áudio e imagens. O lado rico, quando Waldick esteve no auge do sucesso, as polêmicas antológicas com Flávio Cavalcante, os casos famosos com Claudia Barroso e com a socialite milionária Beki Klabim, nuances que enriqueceriam muito o documentário, tudo ficou de fora. Nem mesmo as centenas de matérias em revistas e jornais, testemunhas da fama, e da participação de Waldick no cenário artístico nacional, não foram utilizadas por Patrícia como recursos ilustrativos nos 58 minutos. O filme é um afago de fã, e fã que teve contato com a obra do artista pela primeira vez, via radinho de pilha da empregada. Não sei, se pelo fato das minhas pesquisas sobre Waldick (7 anos) revelarem um grande personagem, ou mesmo uma figura insólita, acredito que Patrícia já tinha antes em mente tudo o que levou para a tela do cinema. O início do filme passa um pouco disso, do carinho da diretora para com o personagem, a começar pelo simbólico chapéu preto, primeira imagem do filme, depois, uma estrada sendo cortada pelo carro que transporta um homem cansado, voltando ao lugar onde nasceu, enquanto fala da própria vida. Ainda não é o filme que eu gostaria de ver sobre a vida de Waldick Soriano, mas é uma preciosidade para quem vai pela primeira vez, fazer contato com a história de um dos grandes nomes da música popular do Brasil. Não há o que lamentar, antes, louvar pela iniciativa, e realização de Patrícia como pessoa sensível e criativa que é, trazendo a tona o nome de Waldick Soriano para que se saiba hoje e no futuro, a importância deste artista tão querido, e respeitado pelo povo. Como ela mesma avaliou em 2006, quando ainda estava em fase de produção. “O Brasil trata mal esses artistas. Para ter o novo não precisa negar quem construiu o que está ai. Eles são o alicerce da história de nossa música”. Declarações como essas, deixaram em expectativa milhares de admiradores de Waldick. A temática do “brega” é levantada no documentário quando Waldick diz: “Eu não sou brega, eu sou romântico”. Logo em seguida, um fã exaltado pela bebida declara seu amor fiel ao romantismo das músicas do cantor baiano.
Recomendo aos leitores do blog, assistirem ao filme e depois escreverem aqui, o que acharam do documentário. Meu esforço para aceitar a parcialidade de Patrícia Pillar como diretora, foi imenso, mas uma frase da experiente jornalista Vera Sastre, trouxe o resumo que tanto procurava para este texto: “Ela não fez com Waldick, o que ela como artista não gostaria que fizessem com ela, ou seja, preservou o lado pessoal do artista”.
Uma frase dita por Waldick no filme, deve ser guardada por quem deseja entrar no mundo solitário da celebridade. “Eu ainda estou procurando essa tal de felicidade. A felicidade real, talvez nunca venha.”

“Os filmes que fiz, O Poderoso Garanhão e Paixão de Um Homem, passam, as músicas também podem passar, mas o documentário, acho que fica.” Waldick em 26/02/06

as fotos que ilustram esta matéria foram reproduzidas das originais de Marizilda Cruppe (agosto de 2007)

9 comentários:

Thiago de Góes disse...

Que post completo. Agora quero assistir o documentário o mais rápido possível.

Na comunidade de Waldick Soriano no Orkut ha um tópico anônimo informando que ele está muito doente, próximo do fim.

Wilde Portela disse...

Gostei muito do blog Música Popular do Brasil. Bem escrito, bem pesquisado e visualmente interessante. Josué Ribeiro está de parabéns pela iniciativa.
Tomei conhecimento deste blog através do blog Contos Bregas, de Thiago de Góes.

Wilde Portella

adriano disse...

O cantor Waldick Soriano tem filhos que residem na cidade de Xique-Xique na Bahia,professor Samé é carateca 4º Dan e é exemplo de cidadão.O SBT uma vêz fez uma homenagém a ele e levou os filhos que ele tém até hoje na cidade.

adriano disse...

Na realidade chama-se professor Samú,uma filha dele a Waléria (que faleceu a mais de 10 anos)que eu conhecia,ele era casado com com a professora Estér que foi uma das mulheres do cantor,não sei se ele ainda tém contacto com eles mais fica o registro.Desejo uma ótima saúde pra ele.

Vinicius disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vinicius disse...

Adriano, na verdade ele tinha duas filhas em Xique-xique BA, Walkilda; e Waleria (falecida a 10 anos)e o Professor Samú ( Samuel ), como você fala é 4º dam de JudÔ não é filho de Waldick e sim genro casado com Walkilda, que por acaso são meus pais.

Josué Ribeiro disse...

Vinicius, entre em contato comigo pelo email josue.r.r@gmail.com quero conhecer melhor sua história. Forte abraço

MARUJO13 disse...

Sou de xique-xique, conheci muito bem Waléria, a filha de Waldick, inclusive ela faleceu juntamente com minha prima em um acidente trágico!! Meus avós de Itaguaçu, assim como a mulher dele, Éster!! conheceram muito o Waldick!! Só saudades!!

Clóvis Lacerda disse...

Eu sou um dos fãs incondicionais do Wadick,só tenho a agradecer pela excelente contribuição dele á música brasileira.Waleu Waldick!

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