22 agosto 2008

ENTREVISTA COM O CANTOR BALTHAZAR: AGRADÁVEL DO COMEÇO AO FIM.






UM ARTISTA QUE SE DEIXA LEVAR PELA EMOÇÃO.
Balthazar estava na mira, há pelo menos sete anos, quando descobri que para minha pesquisa _sobre a música popular do Brasil nos anos 70 e 80_ ser completa, ele precisava figurar nela com destaque. Chegou o dia da entrevista, data que certamente parte da história da música foi passada a limpo. A entrevista agendada sob os cuidados do cantor e empresário Naldo Kléber, correu tudo as mil maravilhas, com exceção da notícia de que eu havia perdido, na noite anterior, a homenagem que Os Copacabanas prestaram ao ídolo Balthazar. Festa de primeira, com gente importante e tudo mais. O local, a casa Mistura Fina, ponto chic do Rio, cedeu seu espaço nobre ao nobre brega Balthazar. Não ha como reparar o erro de ter perdido o evento, mas me consola saber que o show foi filmado, e que o material vai ilustrar um DVD, no mínimo revelador. É que durante o show, Balthazar responde as perguntas dos integrantes de Os Copacabanas.
Infelizmente o conteúdo da entrevista não poderá ser publicado aqui no blog, pois seu destino é o livro que venho preparando há 8 anos sobre o assunto, e que já está na sua reta final, mas não me contive em dividir com os leitores queridos, alguns momentos inebriantes, diante do hiperativo Balthazar. Estavam presentes na mesa, Marisa, esposa do cantor, e Naldo Kleber com sua esposa. O filho Adano, deu uma passada pelo local, um bar no Centro boêmio, do Rio antigo. Registrei o momento em que o filho coruja beijou o pai, especialmente para o blog. Adano gentilmente cedeu-me um vasto material fotográfico sobre o pai famoso, dentre o material raro, fotos do começo da carreira de Balthazar, e um flagrante do cantor ainda menino, com os pais em Aracajú.

BALTHAZAR É NETO DO IMPORTANTE PROFESSOR REPUBLICANO BALTHAZAR GÓES

Balthazar carrega o nome do avô com orgulho, o mesmo orgulho que ele lamenta não ter tido o povo sergipano, que no lugar de homenagear seu avô com uma avenida, deram-lhe uma placa num beco, e o que é pior, tentaram tirar-lhe o nome do beco. Balthazar também é parente, não muito distante, de Lampião, o rei do cangaço. Os primeiros passos na carreira foram dados no Colégio da Dona Maria, fazendo apresentações para os alunos e seus pais. O pai, que trabalhou a vida toda nos Correios, tinha um violão que Balthazar arranhava notas, escondido do pai, aos cinco anos. É músico de ouvido, toca com domínio, mas seu maior recurso é mesmo a sua voz. Foi cantando Orlando Dias, Carlos Alberto, Altemar Dutra, Silvinho, Nelson Gonçalves, Dalva de Oliveira, Orlando Silva e os próprios cantores regionais que ele aparecia como destaque aos oito anos, no programa A Noite é do Cartaz Sergipano. Sua interpretação diferenciada dava indicação do que viria pela frente. Foi preciso deixar Aracaju e partir para São Paulo, recebendo incentivos do irmão que o levava para participar de concursos e programas de TV, um deles o Aí vem as Crianças, do apresentar Durval de Souza, um cômico da pesada. Balthazar percorreu o trajeto comum aos pretendentes do sucesso, cantando hora aqui, outra ali, mas sempre cantando. Anos depois, no Rio de Janeiro, a namorada Sandra, filha de Raul Sampaio, fez a ponte que levaria Balthazar ao mundo do disco, é que Sandra pôde apresentar o namorado ao pai, e assim, não demorou muito, Raul descobriu o talento do rapaz para cantar. Mas Balthazar garante que foi ao nascer que sua vocação para cantar foi revelada, segundo ele ao chorar pela primeira vez, o médico lhe bateu no bumbum, no que ele respondeu cantando Sarah. Com toda a predisposição para cantar, o esporte também, durante um bom período, povoou de sonhos e vitórias, a cabeça de Balthazar, principalmente quando a família mudou para o Rio, indo morar em frente ao Maracanã. Entregou-se a natação e por ela foi campeão em diversas modalidades. A atração que sentia pelo rock, fez com que conhecesse uma nova turma de amigos, e deixasse para traz, de vez, qualquer possibilidade de seguir com o esporte. Foi quando conheceu Serguei, de quem mais tarde foi produtor, e Raul Seixas, parceiro dos inúmeros festivais de rock. Quando realmente pode enfim gravar seu primeiro disco, arrebentou nas vendagens, foram mais de um milhão de cópias do primeiro compacto Cartas de Amor. Nascia então, o cantor Balthazar, grande vendedor de discos.

BALTHAZAR, O REVOLUCIONÁRIO.

Balthazar tem orgulho da sua participação na história do Brasil. Como compositor, compôs, e cantou no Festival de Música do Exército Brasileiro, o hino A Revolução de 64. “Eu sou o único compositor histórico vivo, no Brasil. Eu sou o dono do hino A Revolução de 64”. Reclama como patriota e artista, relembrando o fato, realizado a alguns anos após a revolução. No festival, Balthazar ganhou o primeiro lugar, mas teve que ceder lugar para um coronel do exército, que ficou em primeiro, rebaixando Balthazar para segundo lugar. Enquanto chafurdava a memória, lembrou de parte da letra, fazendo questão de compartilhar com seus admiradores. Com exclusividade para o blog, segue parte da letra.
O povo brasileiro/
Tem orgulho da nação/
Menina, revolução/.
Você me trouxe a paz / me trouxe amor e união/
Menina, revolução/
Quando você nasceu / eu tinha então a sua idade/
Brasil, país de sonho /
Hoje é realidade/
Sem ordem e sem progresso/
Tudo ia muito mal/
Até que a menina...
Tudo em Balthazar parece que fica mais alegre, seu jeito descontraído de levar a vida nos faz pensar numa realidade distante, naquela em que somente os loucos é que são felizes. Não estou chamando o artista de louco, estou reconhecendo que as vezes levo a vida muito a sério. Para Balthazar, a vida é bela. “Sou incapaz de pisar sobre uma formiga. Criança é o que mais meche comigo na vida. Eu sou o que chamam por aí de manteiga derretida”. Ele só fica uma fera quando vê o Brasil se esquecendo de incluir Sergipe no painel dos acontecimentos.

BALTHAZAR, O PRODUTOR

O cantor também foi produtor. Além de produzir o primeiro disco de Serguei, produziu também Lady Zu e outros cantores. Quando perguntei sobre a ausência de créditos que confirmassem os feitos, Balthazar justificou que para ele o que valia mesmo era o dinheiro que ele recebeu pelas produções.

SOBRE O PRIMEIRO DISCO E EVALDO BRAGA.

Além de ser grande amigo, dividiu apartamento com ídolo negro. Compartilhava do sucesso e dos percalços pessoais, enfrentado pelo cantor. Balthazar acredita que sua entrada na Phonogram foi exatamente pela voz e pela amizade que tinha com Evaldo. Jairo Pires lhe fez o convite para gravar logo após a morte de Evaldo. Ainda nos estúdios, foi chamado numa sala para ouvir uma música que Raul Seixas e Mauro Motta, haviam gravado em dueto, numa fita. A música era Se Ainda Existe Amor, e o que foi feito dela os leitores já sabem: sucesso. Quando soube que ia gravar, foi para casa e fez Cartas de Amor, inspirada no seu próprio pai. Ouviu da boca de Jairo Pires: vá para casa e faça uma música de “chacundum”, para arrebentar. Foi o que fez.

SOBRE RAUL SEIXAS

Grande autor de bregas, talvez o maior do Brasil. Se ele chegasse aqui agora, ficaria alguns minutos e sairia sem explicação. Era o jeito dele. Gravei a música dele Se Ainda Existe Amor, foi o sucesso que foi, mas ele nunca reagiu como um deslumbrado ficava sempre na dele. Naquele jeitão próprio.

SOBRE BREGA

“Tenho pijamas a minha espera em cada cabaré do Norte e Nordeste. Todos cabarés do Brasil me conhecem. Quando chego numa casa dessas, sou sempre muito bem recebido, faço a festa na mesa ouvindo minhas músicas e as músicas dos colegas”. Balthazar não acredita em preconceito, acredita em musicalidade. “Enquanto eu vendia 600 mil compactos, o Chico Buarque vendia cinco mil LP’s, quando vendia muito. Prefiro o sucesso à fama intelectual”.

SOBRE A CANTORA DIANA, COM QUEM FOI CASADO POR OITO ANOS.

Para minha maior surpresa, Balthazar foi casado com a cantora Diana. Os dois moraram juntos por oito anos. Conheceram-se pela estrada, fazendo shows. Já se conheciam ha muitos anos, quando foram morar juntos. Balthazar guarda ótimas lembranças do tempo em que morou com a cantora no apartamento dela na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Ele revela que foi a pedido da Diana, porque confiava nele, que dividiram o quarto pela primeira vez. Inicialmente, foi para protegê-la das cantadas dos demais cantores no hotel onde estavam hospedados, que Balthazar e Diana passaram a dividir o mesmo quarto do hotel, somente depois foi que nasceu a atração e a paixão, e depois, foram morar juntos. Tudo começou em Mamanguape, na Paraíba, e terminou em 1993, no Rio. A inteligência, o talento, a beleza e o gênio de Diana, Balthazar vai guardar para sempre, e diz mais: “Dentre todas as cantoras da geração dela, Diana é a que melhor compõe e canta. É muito querida pelo povo do Brasil”.

BALTHAZAR, O PAI DE MUITOS.

Como pai, Balthazar só perde para Abraão, pois segundo seus cálculos, são mais de 26 filhos. Apesar dos três filhos oficiais, por muito tempo Balthazar ficou expert em conhecer filhos, bastava encerrar a apresentação, para vir moças com filhos nos braços apresentando-os como filhos. Balthazar lamenta não saber nada sobre um filho que teve com uma japonesa. Ela voltou para sua terra com o filho no ventre. Balthazar imagina que seu filho possa até ser um samurai.

Pela alegria espontânea e pelo talento para arrancar risos, Balthazar bem que poderia ser, além de cantor, um grande comediante.

6 comentários:

anrafel disse...

Josué,

É sobre a enquete aí do lado "Qual a música inesquecível dos anos 70?"
Eu votei em "Eu vou tirar você...", do Odair José, mas na verdade olhando a relação eu senti falta de uma que me marcou mais que elas todas, embora existam algumas grandes canções listadas.

Estou falando de "Manhãs de Setembro", acho que de Nenéo, cantada lindamente por Vanusa.

Tudo bem, eu sei que não dá pra colocar tudo, mas fica a minha lembrança. Gosto de enquetes.

Wilde Portella disse...

Josué:
Parabéns pela excelente matéria com o cantor Balthazar. Realmente você está resguardando a Música Popular do Brasil com suas pesquisas e reportagens. Agora os cantores ditos bregas e românticos têm um espaço para mostrar que o Brasil é um verdadeiro celeiros de bons intérpretes. Parabéns mais uma vez pelo resgate cultural.
Bem que o material do seu blog poderia se transformar em livro.
Wilde Portella

Edilon R. disse...

Grande Josué.

Balthazar é sensacional. Tô curioso para ver o conteúdo da entrevista.

Quero ser o primeiro a adquirir seu livro. Não se esqueça de me avisar quando será o lançamento. OK?

Abraço.
Edilon R.

Tibério disse...

Acredito eu que o melhor da entrevista com o Balthazar vai ficar para o lançamento do seu livro!!! E viva a Verdadeira Musica Popular Brasileira!!!

Tibério disse...

Excelente entrevista com o melhor cantor "Cafona" dos anos 70, hoje Cult, um icone sem duvida da verdadeira Musica Popular Brasileira!!!!!!!!!!!1

Vina disse...

Olá, como Balthazar, sou Sergipano e concordo com nosso grande artista representante da música popular brasileira. Nós Sergipanos, não somos tratados como merecemos pela midia em geral, e olhe que temos muitos artistas viu? Porém, não quero me colocar numa posição de vitima coitada e nem quero partir para um barrismo vazio, mas o fato de não sermos conhecidos nem projetados nacionalmente, vem muito de nossas desvalorizações que damos a nossa produção musical e artística em geral, tanto é que tenho um blog que disponibilizo sobre a biografia de músicos sergipanos e o blog foi tão pouco visitado inclusive pelos próprios artistas sergipanos que nunca mais escrevi nada nele. o site se chama música sergipana e é do blogspot tb
abraços

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