31 agosto 2008

CRÍTICA


O PROGRAMA ÍDOLOS DA TV RECORD HUMILHA OS CANDIDATOS E CONSTRANGE OS TELESPECTADORES.

Confesso que me seguro para não falar mal de ninguém, muito menos de quem eu nem conheço pessoalmente, mas como telespectador de televisão, não tenho como ficar calado enquanto milhares de sonhos estão sendo esmagados por gente que demonstra insegurança no que está fazendo em pleno horário nobre da televisão. Poupando a Paula Lima, que além de ótima intérprete, é humana e demasiadamente apta profissionalmente para analisar até mesmo os colegas de bancadas, que se vendem como mega profissionais, não passando de alpinistas, daqueles que precisam carregar nas costas, ou nos currículos, nomes de artistas consagrados, só porque por azar do próprio artista, teve seu nome ligado ao tal jurado em algum momento da carreira. E que azar! Aliás, jurado está eu, que não esperava por tamanha algazarra na televisão, o que é pior, de uma emissora da qual sou grande torcedor, pois admiro muito seu esforço em tentar fazer melhor do que as outras, embora o objetivo seja exclusivamente alcançar o primeiro lugar, o que é muito perigoso, principalmente no contexto cultural. Mas voltando ao programa ídolos, da Rede Record, vou confessar que foi o pior de tudo que eu já vi na TV aberta. Um equívoco só. Quem é Calainho? E Marco Camargo? Sim, eu já pesquisei sobre os dois, mas o quê de indispensável eles fizeram?

TALENTO DE VERDADE

É constrangedor ouvir os comentários de André Calaínho sobre a participação dos candidatos. Um dos comentários que li sobre ele, na rede, está na revista Quem (só poderia ser nela, onde mais? Na Caras, é claro.) diz que o jovem rico e bem-sucedido casou-se com a modelo Carolina Ribeiro e teve como convidada a ex-noiva Angélica (tadinha). Como André Calinho foi parar no Ídolos? Quem fez a terrível escolha? Ele não tem cabedal artístico para isso, não é por ser dono de rádio ou ter namorado gente famosa, isso não lhe capacita a nada, muito menos a dizer que fulano não tem postura de ídolo, ou voz que emocione. Dê uma “googlada” nele e veja onde você vai parar. Acorda bispo Honorilton Gonçalves, assim o retrocesso será o ídolo principal da emissora. Permitir que um programa que obteve grande êxito no SBT, já bastante conhecido do grande público, tenha como analistas, gente como Calainho e Marco Camargo, é pedir para o telespectador desligar a TV. Não acompanhei na íntegra a temporada exibida no canal do Sílvio Santos, mas pude torcer pela vitória do Leandro Pica-pau (eu também sou humano, tenho direito de errar). Não gostava da participação de nenhum deles, achava agressivo e “trash” demais, humilhar pessoas ávidas por fama (pelo menos a metade só quer meter a cara na TV). Quanto a Marco Camargo, é melhor o leitor ir direto ao site dele (vai ler sobre Ivete, Roberto Carlos, Ed Motta, Benito di Paula e everybody macacada). Lamentável fica a participação da graciosa Paula Lima (inocente) no meio dos dois desprovidos de talentos para avaliar candidatos. Eu desisto de assistir ao Ídolos, desisto de acreditar que essa fórmula ainda vai lançar alguém que se sustente num mercado invisível, mas cheio de serpentes devoradoras reais, desisto.
A Rede Record dá um passo atrás quando deixa um equívoco desses ir adiante. O programa Ídolos vai ser sucesso sim, mas no you tube, como provocação e diversão para os adolescentes incautos.

EXEMPLO DO DESPERDÍCIO DA FÓRMULA: TALENTO SEM INVESTIMENTO

Tenham compaixão dos telespectadores inteligentes, abortem esta versão, ou coloque gente preparada (com potencial para descobrir talentos e não humilhar calouros) para a empreitada que é lançar um novo “ídolo”. Sugestão? Gente como Tetê Espíndola, Eduardo Dussek, e Paula Lima, certamente mexeriam nos tesouros escondidos do Brasil. Não me queiram mal.

22 agosto 2008

ENTREVISTA COM O CANTOR BALTHAZAR: AGRADÁVEL DO COMEÇO AO FIM.






UM ARTISTA QUE SE DEIXA LEVAR PELA EMOÇÃO.
Balthazar estava na mira, há pelo menos sete anos, quando descobri que para minha pesquisa _sobre a música popular do Brasil nos anos 70 e 80_ ser completa, ele precisava figurar nela com destaque. Chegou o dia da entrevista, data que certamente parte da história da música foi passada a limpo. A entrevista agendada sob os cuidados do cantor e empresário Naldo Kléber, correu tudo as mil maravilhas, com exceção da notícia de que eu havia perdido, na noite anterior, a homenagem que Os Copacabanas prestaram ao ídolo Balthazar. Festa de primeira, com gente importante e tudo mais. O local, a casa Mistura Fina, ponto chic do Rio, cedeu seu espaço nobre ao nobre brega Balthazar. Não ha como reparar o erro de ter perdido o evento, mas me consola saber que o show foi filmado, e que o material vai ilustrar um DVD, no mínimo revelador. É que durante o show, Balthazar responde as perguntas dos integrantes de Os Copacabanas.
Infelizmente o conteúdo da entrevista não poderá ser publicado aqui no blog, pois seu destino é o livro que venho preparando há 8 anos sobre o assunto, e que já está na sua reta final, mas não me contive em dividir com os leitores queridos, alguns momentos inebriantes, diante do hiperativo Balthazar. Estavam presentes na mesa, Marisa, esposa do cantor, e Naldo Kleber com sua esposa. O filho Adano, deu uma passada pelo local, um bar no Centro boêmio, do Rio antigo. Registrei o momento em que o filho coruja beijou o pai, especialmente para o blog. Adano gentilmente cedeu-me um vasto material fotográfico sobre o pai famoso, dentre o material raro, fotos do começo da carreira de Balthazar, e um flagrante do cantor ainda menino, com os pais em Aracajú.

BALTHAZAR É NETO DO IMPORTANTE PROFESSOR REPUBLICANO BALTHAZAR GÓES

Balthazar carrega o nome do avô com orgulho, o mesmo orgulho que ele lamenta não ter tido o povo sergipano, que no lugar de homenagear seu avô com uma avenida, deram-lhe uma placa num beco, e o que é pior, tentaram tirar-lhe o nome do beco. Balthazar também é parente, não muito distante, de Lampião, o rei do cangaço. Os primeiros passos na carreira foram dados no Colégio da Dona Maria, fazendo apresentações para os alunos e seus pais. O pai, que trabalhou a vida toda nos Correios, tinha um violão que Balthazar arranhava notas, escondido do pai, aos cinco anos. É músico de ouvido, toca com domínio, mas seu maior recurso é mesmo a sua voz. Foi cantando Orlando Dias, Carlos Alberto, Altemar Dutra, Silvinho, Nelson Gonçalves, Dalva de Oliveira, Orlando Silva e os próprios cantores regionais que ele aparecia como destaque aos oito anos, no programa A Noite é do Cartaz Sergipano. Sua interpretação diferenciada dava indicação do que viria pela frente. Foi preciso deixar Aracaju e partir para São Paulo, recebendo incentivos do irmão que o levava para participar de concursos e programas de TV, um deles o Aí vem as Crianças, do apresentar Durval de Souza, um cômico da pesada. Balthazar percorreu o trajeto comum aos pretendentes do sucesso, cantando hora aqui, outra ali, mas sempre cantando. Anos depois, no Rio de Janeiro, a namorada Sandra, filha de Raul Sampaio, fez a ponte que levaria Balthazar ao mundo do disco, é que Sandra pôde apresentar o namorado ao pai, e assim, não demorou muito, Raul descobriu o talento do rapaz para cantar. Mas Balthazar garante que foi ao nascer que sua vocação para cantar foi revelada, segundo ele ao chorar pela primeira vez, o médico lhe bateu no bumbum, no que ele respondeu cantando Sarah. Com toda a predisposição para cantar, o esporte também, durante um bom período, povoou de sonhos e vitórias, a cabeça de Balthazar, principalmente quando a família mudou para o Rio, indo morar em frente ao Maracanã. Entregou-se a natação e por ela foi campeão em diversas modalidades. A atração que sentia pelo rock, fez com que conhecesse uma nova turma de amigos, e deixasse para traz, de vez, qualquer possibilidade de seguir com o esporte. Foi quando conheceu Serguei, de quem mais tarde foi produtor, e Raul Seixas, parceiro dos inúmeros festivais de rock. Quando realmente pode enfim gravar seu primeiro disco, arrebentou nas vendagens, foram mais de um milhão de cópias do primeiro compacto Cartas de Amor. Nascia então, o cantor Balthazar, grande vendedor de discos.

BALTHAZAR, O REVOLUCIONÁRIO.

Balthazar tem orgulho da sua participação na história do Brasil. Como compositor, compôs, e cantou no Festival de Música do Exército Brasileiro, o hino A Revolução de 64. “Eu sou o único compositor histórico vivo, no Brasil. Eu sou o dono do hino A Revolução de 64”. Reclama como patriota e artista, relembrando o fato, realizado a alguns anos após a revolução. No festival, Balthazar ganhou o primeiro lugar, mas teve que ceder lugar para um coronel do exército, que ficou em primeiro, rebaixando Balthazar para segundo lugar. Enquanto chafurdava a memória, lembrou de parte da letra, fazendo questão de compartilhar com seus admiradores. Com exclusividade para o blog, segue parte da letra.
O povo brasileiro/
Tem orgulho da nação/
Menina, revolução/.
Você me trouxe a paz / me trouxe amor e união/
Menina, revolução/
Quando você nasceu / eu tinha então a sua idade/
Brasil, país de sonho /
Hoje é realidade/
Sem ordem e sem progresso/
Tudo ia muito mal/
Até que a menina...
Tudo em Balthazar parece que fica mais alegre, seu jeito descontraído de levar a vida nos faz pensar numa realidade distante, naquela em que somente os loucos é que são felizes. Não estou chamando o artista de louco, estou reconhecendo que as vezes levo a vida muito a sério. Para Balthazar, a vida é bela. “Sou incapaz de pisar sobre uma formiga. Criança é o que mais meche comigo na vida. Eu sou o que chamam por aí de manteiga derretida”. Ele só fica uma fera quando vê o Brasil se esquecendo de incluir Sergipe no painel dos acontecimentos.

BALTHAZAR, O PRODUTOR

O cantor também foi produtor. Além de produzir o primeiro disco de Serguei, produziu também Lady Zu e outros cantores. Quando perguntei sobre a ausência de créditos que confirmassem os feitos, Balthazar justificou que para ele o que valia mesmo era o dinheiro que ele recebeu pelas produções.

SOBRE O PRIMEIRO DISCO E EVALDO BRAGA.

Além de ser grande amigo, dividiu apartamento com ídolo negro. Compartilhava do sucesso e dos percalços pessoais, enfrentado pelo cantor. Balthazar acredita que sua entrada na Phonogram foi exatamente pela voz e pela amizade que tinha com Evaldo. Jairo Pires lhe fez o convite para gravar logo após a morte de Evaldo. Ainda nos estúdios, foi chamado numa sala para ouvir uma música que Raul Seixas e Mauro Motta, haviam gravado em dueto, numa fita. A música era Se Ainda Existe Amor, e o que foi feito dela os leitores já sabem: sucesso. Quando soube que ia gravar, foi para casa e fez Cartas de Amor, inspirada no seu próprio pai. Ouviu da boca de Jairo Pires: vá para casa e faça uma música de “chacundum”, para arrebentar. Foi o que fez.

SOBRE RAUL SEIXAS

Grande autor de bregas, talvez o maior do Brasil. Se ele chegasse aqui agora, ficaria alguns minutos e sairia sem explicação. Era o jeito dele. Gravei a música dele Se Ainda Existe Amor, foi o sucesso que foi, mas ele nunca reagiu como um deslumbrado ficava sempre na dele. Naquele jeitão próprio.

SOBRE BREGA

“Tenho pijamas a minha espera em cada cabaré do Norte e Nordeste. Todos cabarés do Brasil me conhecem. Quando chego numa casa dessas, sou sempre muito bem recebido, faço a festa na mesa ouvindo minhas músicas e as músicas dos colegas”. Balthazar não acredita em preconceito, acredita em musicalidade. “Enquanto eu vendia 600 mil compactos, o Chico Buarque vendia cinco mil LP’s, quando vendia muito. Prefiro o sucesso à fama intelectual”.

SOBRE A CANTORA DIANA, COM QUEM FOI CASADO POR OITO ANOS.

Para minha maior surpresa, Balthazar foi casado com a cantora Diana. Os dois moraram juntos por oito anos. Conheceram-se pela estrada, fazendo shows. Já se conheciam ha muitos anos, quando foram morar juntos. Balthazar guarda ótimas lembranças do tempo em que morou com a cantora no apartamento dela na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Ele revela que foi a pedido da Diana, porque confiava nele, que dividiram o quarto pela primeira vez. Inicialmente, foi para protegê-la das cantadas dos demais cantores no hotel onde estavam hospedados, que Balthazar e Diana passaram a dividir o mesmo quarto do hotel, somente depois foi que nasceu a atração e a paixão, e depois, foram morar juntos. Tudo começou em Mamanguape, na Paraíba, e terminou em 1993, no Rio. A inteligência, o talento, a beleza e o gênio de Diana, Balthazar vai guardar para sempre, e diz mais: “Dentre todas as cantoras da geração dela, Diana é a que melhor compõe e canta. É muito querida pelo povo do Brasil”.

BALTHAZAR, O PAI DE MUITOS.

Como pai, Balthazar só perde para Abraão, pois segundo seus cálculos, são mais de 26 filhos. Apesar dos três filhos oficiais, por muito tempo Balthazar ficou expert em conhecer filhos, bastava encerrar a apresentação, para vir moças com filhos nos braços apresentando-os como filhos. Balthazar lamenta não saber nada sobre um filho que teve com uma japonesa. Ela voltou para sua terra com o filho no ventre. Balthazar imagina que seu filho possa até ser um samurai.

Pela alegria espontânea e pelo talento para arrancar risos, Balthazar bem que poderia ser, além de cantor, um grande comediante.

11 julho 2008

A ESTÉTICA DO BREGA OU O LADO BOM DO KITSCH?

Desde que retomei seriamente as postagens no blog, em meados de 2006, recebo semanalmente centenas de e-mails, são leitores de distintas áreas do país que desabafam, cobram títulos de músicas, querem saber do paradeiro de tal artista, elogiam matérias e principalmente me incentivam muito. Sinceramente não esperava tamanha manifestação, uma vez que o assunto abordado nem sempre é levado a sério pela mídia convencional. Como profissional de comunicação, tenho o compromisso de emitir informações salutares, a fim de colaborar com o crescimento cultural de todos, todavia, expresso o que realmente penso sobre o assunto música popular, sem limitar opiniões alheias ou tolher crítica. Respeito para conviver bem, a diversidade cultural, sempre acreditando que gosto é pessoal, liberdade é relativa, opinião é parcial e pesquisa é fundamental em toda e qualquer informação dirigida ao público.
Pois bem, a introdução sisuda é para entrar no tema que eu relutei em escrever. Tudo porque um amigo que é médico, me telefonou para dizer que ao digitar meu nome no google, foi parar num site brega. Disse mais, que ao digitar a palavra “brega” foi parar no meu blog. É lógico que eu sabia. Eu mesmo havia feito o percurso inúmera vezes. Descobri na periferia da rede, que alguns sites e blogs recomendavam minha exaltação aos “cantores bregas” (por conta e risco deles), só porque reuni em torno da esfera “popular”, nomes como os de Odair José, Waldik Soriano, Genival Santos e outros intérpretes da música brasileira. Outro fator preponderante, é que escrevo freqüentemente sobre o autor do livro Contos Bregas, Thiago de Góes (de novo).

SE O ROMANTISMO DE ROBERTO CARLOS É BREGA, O QUE DIZER DE RAIMUNDO SOLDADO?

Não sou simpático com a palavra “brega”, ela vem carregada de preconceitos e informações distorcidas. A partir da inclusão da palavra no nosso cotidiano, em meado dos anos 80, ela já arruinou muitos projetos, principalmente projetos que ascendiam da cultura popular do Brasil. É muito fácil aceitar a nomenclatura brega como estilo, afinal ela reúne facetas interessantes do submundo pop, faz o feio parecer engraçado e o irreverente parecer medonho. Difícil é saber até quando esse estilo vai perdurar. Será que não estamos aceitando o preconceito imposto pela classe midiática? Ou ainda, estamos aceitando a rejeição camuflada de cultura inútil, só porque de repente tudo é válido, pelo menos para a tribo que aceita? Não estou convencido da idéia errônea de nomear de lixo, aquilo que tem uma história característica, e que também faz parte da cultura do meu país. É recente por demais para que eu aceite o brega como estilo. É difícil aceitar calado, colegas dizerem que determinado artista não se firmou porque era brega, ou seja, ruim. Um país continental como é o nosso, acata muitas culturas, manifestações distintas que enriquecem a história, mas desde sempre, hoje um pouco menos, o artista tinha que vencer no Rio ou em São Paulo para então conquistar outros estados do Brasil. Por que todo mundo tem que aceitar qualquer música? Podemos aceitar aquilo que nos toca com facilidade, sem que para isso tenhamos que abrir mãos da nossa preferência. O carimbó é do Pará, mas também é do Brasil, assim como o forró, que sai do nordeste para todo o país. A questão da preferência engloba toda uma fusão geográfica, ela está inserida no interior do brasileiro, se ele muda de lugar, a preferência segue junto, mas ele pode se interessar por outros estilos que não seja somente aquilo que lhe é característico. O cantor Raimundo Soldado (falecido), muito querido no Norte e Nordeste, reunia desempenho capaz de deixar Ferreira Goulart, Freud e AMY WINEHOUSE de queixos caídos. Suas letras simples, sua velocidade rítmica e seu humor nas composições, são por si só, suficientes para se iniciar um estudo à parte. Soldado não passou em branco pela história da música popular do Brasil, embora muita gente ainda precisa conhecer sua obra, o que deixou é capaz de resistir ao tempo e ao preconceito. Os ídolos do funk carioca têm pais cearenses, paraibanos, alagoanos e cariocas também. É um estilo que agrada principalmente os jovens, de qualquer lugar, não necessariamente do Rio de Janeiro. Lupicínio Rodrigues é gaúcho, mas sua música é brasileira. Caetano Veloso é nordestino, mas ao ser chamado de cantor baiano só lhe faz aumentar o prestígio, a Bahia é terra de Jorge Amado, Dorival Caymmi, gente que o povo nem conhece, mas que a mídia enaltece e os livros didáticos contêm. Caetano é baiano, mas canta inglês, fez faculdade e é gênio mesmo, pelo menos ao compor Sampa e outras seladas composições da Tropicália. Ser brega, de repente parece que é outro tipo de cultura. E de onde vem essa cultura? Estão pondo na mesma lixeira tudo aquilo que os críticos desinformados rejeitam. Estão batendo palmas para Arnaldo Jabor sem entender suas ácidas críticas, fizeram bem pior, com ampla publicidade, fizeram os jovens aceitarem Paulo Coelho como referência literária. Há erro nos fatos? Não há. O gosto é pessoal, a influência é que devia ser reavaliada. As escolas ensinam usando poemas de Cecília Meireles e Carlos Drummond de Andrade, contudo os professores desconhecem a obra de Raimundo Soldado e Jackson do Pandeiro. É certo reprovar uma criança do interior do Maranhão num trabalho de interpretação de texto sobre Chico Buarque? Não seria mais justo, que primeiro ela conhecesse sua própria cultura e fizesse contato com a obra de artistas local?

Andy Warhol foi quem melhor descreveu o mecanismo frio de desumanização levado à prática pelos modernos meios de comunicação de massas. Ele disse: “Quando vemos várias vezes seguidas uma fotografia macabra, acaba por não nos causar nenhum efeito.”
E o que dizer de Carlos Drummond de Andrade em “Eu, etiqueta?” “Já não me convém o título de homem. Meu novo nome é Coisa. Eu sou a Coisa, coisamente.” Drummond chutou o balde diante do consumo exagerado, derramando repugnância sobre a coisificação geral daquilo que podia ser chamado de homem. Pascal foi mais além e desnudou a ética encapsulada da moral, envernizada de erros, mostrando suas vergonhas e deslizes, como de fato a ética está. “A verdadeira moral zomba da moral.” Nos versos de “A Lesma”, do poeta italiano Trilussa, que viveu no tempo de Mussolini, podemos consentir com o exemplo dado sobre a necessidade inerente do homem de se fazer eterno por meio do que ele próprio faz e deixa. “Exausta, a pobre Lesma da vanglória, ao atingir o cume do obelisco, disse, olhando da própria baba o risco: Meu rastro ficará também na História”.





ANTES DO REYNALDO GIANECHINNI DERRETER OS CORAÇÕES FEMININOS NO ANO 2000. UMA SAFRA DE GALÃS MEXIA COM O IMAGINÁRIO DO BRASILEIRO.

ELES CANTAVAM, DANÇAVAM, VENDIAM MUITOS DISCOS E AINDA NÃO CONHECIAM OS ANOS 80
















O TROPICALISTA TOM ZÉ É O AUTOR DO PRIMEIRO CD VIRTUAL LANÇADO PELA GRAVADORA TRAMA.



ENQUANTO ISSO, NO MOVIMENTO RETARDADO DA ANTROPOFAGIA MUSICAL, O GENIVAL LACERDA BERRA: DE QUEM É ESSE JEGUE? ELE QUER ME MORDER.
Qual será resposta para a crise na qual o mercado fonográfico encontra-se atolado, sem que ninguém lhe estenda a mão, ou lhe deixe de vez, enterrado e esquecido, assim como uma coisa ultrapassada que já não serve mais. Será que tem cura para essa espécie de isquemia que paralisou as gravadoras? Os últimos acontecimentos dão sinal de que a saída pode está muito mais longe (dependendo da distância entre a Internet e o consumidor) do que pensamos. A gravadora Trama, patrocinada pela VR, anuncia nas páginas centrais, inteiras, do jornal O Globo (espaço mais caro atualmente em jornais cariocas), o lançamento do primeiro cd virtual. A campanha alerta para o fato de que o interessado no produto não vai gastar nada, mas o artista ganha normalmente seu dinheirinho. A VR paga pelo download.
O disco não poderia ser de outro artista senão do mais perfeito protótipo de artista que o Brasil já produziu depois de Oswald de Andrade, que vem a ser o baiano Tom Zé. Artista fiel e coerente que desde sua estréia tropicalista, mantêm-se na contramão-mirrada do sistema deficiente e precário de se fabricar ídolos. Por escassez total de uso comercial em seu trabalho _pois Tom Zé não canta para platéias inteligentes, ou platéias que sabem e cantam suas músicas de cor, muito menos, canta para ser cantado_ Ele canta para os distraídos que não esperam muito de uma música, para quem espera que no mínimo, a música tenha algum sentido literário, nem que seja antropofágico, no sentido da devoração cultural das técnicas importadas. O que explica a crítica enviesada do blog que se destina a comentar sobre a música popular do Brasil, escrever sobre o primeiro cd virtual, e logo do Tom Zé? Alguém conhece pelo menos uma música do Tom Zé? A explicação vem a galope, e mais: tem a ver com a matéria que escrevi recentemente sobre Malu Magalhães, a cantora de 15 anos que entrou para a história como a resposta às crises das gravadoras. Para entender de uma vez por toda, Malu Magalhães deu nome ao lugar para onde os empreendedores da música estão olhando, vislumbrando uma saída que eles ainda não entendem muito bem, mas que muito breve, será apenas mais um meio, um novo meio de se sobreviver de música. Enquanto a gravadora Trama anuncia sua novidade (?), publicando em jornais a sua conquista, não seria melhor para seus estrategistas anunciarem nos milhares de blogs que compreendem e aplaudem a iniciativa? Quando escrevi sobre “o fenômeno” Malu Magalhães, estava reconhecendo que a resposta para a crise da música no Brasil, viria de outras empresas que não das gravadoras, como a Levi’s, a Coca-Cola e agora a VR, que investe numa aposta que tende a ser, num futuro muito próximo, a porta larga por onde vão entrar os artistas integrados com o seu tempo e o com o sistema no qual estão inseridos.
Isquêmica ou não, a veia musical não pode estancar. Genival Lacerda, Pinduca, e muitos outros artistas irreverentes como Tom Zé, precisam de bases financeiras para levar os trabalhos adiante. Quem se arrisca a associar sua empresa com nomes de artistas tão maculados?

09 julho 2008

BIANCA, DIANA E MISS LENE


MISS LENE CONTINUA CONQUISTANDO FÃS

BIANCA TEM UM VERDADEIRO EXÉRCITO DE FÃS QUE NÃO LHE ESQUECE


O SUCESSO QUE VAI ALÉM DOS 15 MINUTOS

Apesar de estarem ausentes da grande mídia há muito tempo, elas continuam queridas e sempre lembradas pelos fãs. Os leitores se manifestaram, postando recados de carinho, saudades e incentivos para Diana, Bianca e Miss Lene. As três cantoras, são detentoras de sucessos estourados nas paradas do rádio, no Brasil inteiro. Diana abriu a década de 70, como “a cantora apaixonada do Brasil”, interpretando sucessos, até hoje executados nas rádios. Músicas como Porque Brigamos, Canção dos Namorados, Fatalidade, Lero Lero, A Música da Minha Vida, Uma Vez Mais, e outras, foram sucessos na sua original interpretação. Enquanto que Miss Lene, “a Tina Charles do Brasil”, fez todo mundo correr para as pistas, só para dançar ao som das suas músicas Deixa a Música Tocar e Quem é Ele? Em 1978, Miss Lene, então com 15 anos, foi lançada ao estrelado, deixando suas bonecas de lado, para rodar o país fazendo shows. Por onde se apresentou, reuniu milhares de pessoas, marcando para sempre, toda uma geração de jovens. A dimensão do sucesso de Miss Lene como cantora, está registrado nos nomes dos filhos dos fãs. Só aqui no blog, estão arquivados pelos menos, 3 postagens de mulheres que têm o mesmo nome da cantora. Homenagem dos pais à Miss Lene, que era a única a ter o nome. E o que dizer de Bianca? Mineirinha de Ituiutaba, que surgiu no cenário artístico em 1979, como “a roqueira mais jovem do Brasil”, título dado à Bianca pelo comunicador Carlos Imperial. Bianca encantava o público com as músicas Vou pra Casa Rever os Meus Pais, Oh Susie, Sou Livre (Agora chega), Minha Amiga e Os Tempos Mudaram (o que me importa). Bianca abriu a década de 80, engordando os cofres da gravadora RGE. Seu primeiro LP (1980), arregimentou equipe pra lá de especial. Os cantores Ralf (antes da dupla com o irmão Christian), Jessé (Porto Solidão) e as integrantes do Harmony Cats, fizeram vocal para o disco da Bianca.

Bianca, Diana e Miss Lene, fazem parte de um período importante das gravadoras. Tempo em que divulgar um artista era muito mais fácil, pois quem mandava era o público, era ele quem decidia o sucesso do artista. Ao contrário do que vemos no mercado fonográfico atual, onde as gravadoras (multinacionais) tomam posturas determinantes, querendo meter nas nossas goelas, todos os tipos que eles chamam de qualquer coisa, até mesmo de música. Alegam crises advindas dos altos preços dos discos (CD), dos custos de produção, da pirataria, da larga disseminação do MP3, e esquecem do gosto e da preferência do público. O disco no Brasil sempre foi caro, mas eles esquecem que Diana vendia barbaridade, que Miss Lene bateu a marca de um milhão de cópias em menos de um ano, que Bianca fazia sucesso porque o público gostava mesmo era de suas músicas, e não por ela ser jovem e engraçadinha.

A GRAVADORA CBS DIVULGOU EM JORNAIS E REVISTAS DA ÉPOCA, A IMPORTÂNCIA DA CANTORA DIANA


CANTORA DIANA GANHA SITE HOMENAGEM

Aos fãs das três cantoras queridas e inesquecíveis, fica registrado aqui, o reconhecimento por parte do blog, do sucesso das artistas que atravessam décadas sem cair jamais no esquecimento do povo. Diana, Miss Lene e Bianca, sempre terão espaços garantidos no blog da música popular do Brasil. Novidades sempre são bem-vindas, portanto, aos fãs da cantora Diana, ou melhor, fãs da “cantora apaixonada do Brasil”, vale a pena aguardar mais um pouco, pois não vai demorar muito para entrar na rede mundial de computadores, o site contendo fotos, biografia e discografia da cantora lançada em 1970 por Raul Seixas. A iniciativa de homenagear Diana com um site, partiu de um fã, morador de Minas Gerais, que trabalha a todo vapor para que o site saia perfeito, a fim de atender as expectativas dos fãs da cantora, que vale acrescentar, que são muitos. Em breve, o blog vai conversar com o autor do site e divulgar os detalhes da estréia.

28 junho 2008

A FAMA QUE NÃO PÁRA DE CRESCER E O AMOR ETERNO DOS FÃS DE PAULO SÉRGIO

o galã

ENTROU NO AR, O SITE OFICIAL SOBRE A MEMÓRIA DO CANTOR PAULO SÉRGIO.
O Site www.paulosergiodemacedo.com sobre a vida e a obra de Paulo Sérgio, foi feito especialmente para que ele nunca deixe de ser lembrado. Segundo Adelina, fã fervorosa do cantor, “Paulo Sérgio sempre será amado. No Site, podemos mostrar toda sua trajetória, usando gravações de shows, fotos, vídeos, e família, incluindo os filhos do cantor”.Adelina não mede palavras para expressar o sentimento que acumula por Paulo. Ela conheceu Paulo Sérgio pessoalmente, tendo tempo para expressar sua admiração pelo artista ainda em vida. “Ele é inesquecível para seus fãs, que sempre dão um jeito de comentar a sua trajetória.Com o seu jeitinho único de cantar, ele agradava multidões, e é por eles também que o site foi ao ar, para que possam ter acesso e grande felicidade em tudo que encontrar sobre o ídolo Paulo Sérgio”. Adelina vem lutando durante anos pela memória do ídolo, em espaços como FÃ CLUBE OFICIAL PAULO SERGIO PARA SEMPRE no orkut.

a intimidade

Durante seis anos, Paulo Sérgio integrou o elenco fixo do programa “Os Galãs Cantam e Dançam aos Domingos”, que tinha quatro horas de duração, juntamente com os cantores Antônio Marcos e Wanderley Cardoso, chegando a comandar o quadro numa ocasião em que Sílvio Santos precisou viajar ao exterior. Outros artistas também participavam esporadicamente da atração, como Marcus Pitter, Cláudio Fontana, Jerry Adriani, Márcio Greyck, Nilton César, Djalma Lúcio, Luiz Carlos Clay, Marcos Roberto, Ary Sanches, Tony Angeli, Arthurzinho, Ricardo Coração de Leão, Mauro Sérgio dentre outros. Ao final, em clima de total descontração, os “galãs”, acompanhados por suas respectivas fãs sorteadas, dividiam os vocais e interpretavam canções dos mais diversos estilos e épocas. Os ensaios com a orquestra ocorriam algumas horas antes do programa ir ao ar.

a infância

Agora é só curtir. Vá correndo ao site e descubra com seus olhos porque Paulo Sérgio é tão querido. http://www.paulosergiodemacedo.com/

Relembre a estreia de Ricardo Braga e a opiniäo de Roberto Carlos em 28/05/1978

A estreia da cantora Katia em 1978 cantando Tão So

Mate a saudade de Nara Leao cantando Além do Horizonte em 1978

1 em cada 5 Brasileiro preferia o THE FEVERS 26/11/1978

Elizangela canta Pertinho de Você no Fantástico em 1978

Glória Pires e Lauro Corona cantam Joao e Maria

CLA BRASIL E MARINÊS

DOCUMENTÁRIO SOBRE EVALDO BRAGA / 3 PARTES - ASSISTA NA ÍNTEGRA

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